PEQUIM, CHINA (FOLHAPRESS) - Vídeos gerados por inteligência artificial tirando sarro da atuação dos Estados Unidos e de falas de seus representantes em relação à guerra no Irã vem sendo publicados no perfil oficial da emissora estatal chinesa, CCTV.

Em um deles, compartilhado nesta quinta-feira (26) na conta do veículo no Instagram, um Tio Sam gerado por IA faz referência ao personagem Pinóquio, no qual o nariz cresce a cada fala mentirosa.

Uma das frases ditas pelo personagem é a de que os americanos não foram os responsáveis pelo ataque a uma escola primária na cidade de Minab, no sul do Irã, que causou a morte de ao menos 175 pessoas, a maioria crianças. Quando o personagem diz "nós nunca tocamos naquela escola", seu nariz começa a crescer.

O Irã acusa os EUA de serem os responsáveis pelo bombardeio que causou a destruição da instituição de ensino, enquanto o governo americano afirma que os autores foram os próprios iranianos em um possível erro de cálculo.

O nariz do personagem segue crescendo quando ele profere frases como "nós aniquilamos o exército deles", "a guerra está quase completa" e "nós estamos ganhando de lavada", por exemplo.

Em outra publicação, o Tio Sam aparece em uma espécie de hospício com as vestes sujas e desgastadas no momento de ser avaliado por um médico e uma enfermeira. Quando o profissional de saúde pergunta como ele está se sentindo, o personagem começa a gritar.

"Nós estamos ganhando de lavada! Eles estão implorando por uma negociação! Eles até me querem como seu líder supremo", afirma em referência ao conflito.

Como resposta, o médico pede à enfermeira que dobre a dose de remédio dada ao paciente.

Os vídeos fazem parte de um movimento observado em contas oficiais de Pequim que utilizam material produzido com inteligência artificial para satirizar os EUA. O perfil da Embaixada da China em Washington, por exemplo, publicou conteúdo semelhante em janeiro utilizando a águia, outro símbolo americano.

Veículos estatais também compartilharam uma série de vídeos do mesmo tipo criticando Washington em razão da guerra comercial.

As publicações, que refletem o posicionamento do regime chinês, contrastam com os pronunciamentos oficiais em que Pequim afirma exercer um papel imparcial na guerra no Irã.

Desde o início do conflito, autoridades do país asiático condenaram o ataque iniciado de forma coordenada por EUA e Israel e pediram o fim das ofensivas.

O Irã é um parceiro estratégico da China e uma das principais rotas para a expansão de seu programa Cinturão e Rota. Há semanas o chanceler Wang Yi tem feito contatos com seus homólogos de outros países para discutir saídas para a guerra.

As publicações também ocorrem às vésperas do encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder do regime chinês, Xi Jinping.

A reunião, que estava previamente agendada para o final de março, foi adiada a pedido de Trump em razão do conflito. Na entrevista coletiva desta sexta-feira (27), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, afirmou que as autoridades dos dois países seguem em contato para tratar do encontro bilateral.