SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Irã e Israel mantiveram ataques mútuos na manhã desta segunda-feira (30), em mais um dia de guerra, apesar de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantir que está próximo de um "acordo" com o novo governo iraniano para acabar com o conflito.

Exército israelense realizou ataques direcionados contra Teerã. Em comunicado, Israel afirmou que os bombardeios atingiram "infraestruturas militares do regime de terror iraniano ao longo da capital".

Cerca de 40 locais de produção de armas em Teerã foram atingidos nas últimas 48 horas, afirmou Israel. "Durante ataques aéreos nos últimos dois dias em Teerã, cerca de 40 instalações de produção e pesquisa de armamentos foram alvos dos ataques", informou o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Paralelamente, Israel realizou novos bombardeios em Beirute, no Líbano. As forças do estado judeu disseram que os ataques foram direcionados contra infraestruturas do Hezbollah, grupo aliado ao Irã.

Ataques também atingiram a periferia sul da capital libanesa após um aviso lançado pelas forças israelenses aos habitantes de sete bairros. Desde o início da guerra, 1.238 pessoas morreram no Líbano, incluindo 124 crianças. Netanyahu, por sua vez, ordenou que o Exército judeu "expanda" a zona de segurança no país vizinho para "neutralizar" a "ameaça" do Hezbollah.

Israel ainda alegou que "respondia" a um ataque de mísseis vindos do Irã. nesta segunda-feira (30), a refinaria de petróleo de Haifa, a maior de Israel, foi alvo de um "impacto" pouco depois de o Exército informar ter detectado novos mísseis lançados pelo Irã. Ainda não se sabe se o local foi atingido diretamente por um míssil vindo do Irã ou do Líbano, ou por estilhaços de uma interceptação.

ATAQUES NO GOLFO

Além de manter os ataques contra Israel, o Irã também continua bombardeando países vizinhos no Golfo Pérsico. A tática adotada desde o início da guerra é uma forma de retaliação contra interesses militares e econômicos dos EUA no Golfo.

No Kuwait, o prédio de uma usina de dessalinização, que também gera eletricidade, foi atingido. Ao menos um trabalhador indiano morreu e grandes danos materiais foram causados, segundo o governo do emirado.

A Arábia Saudita anunciou ter interceptado cinco mísseis que se dirigiam para o leste do país. neste domingo (29), foram divulgadas imagens que mostram um avião de vigilância aérea dos Estados Unidos, avaliado em US$ 270 milhões, destruído na Base Aérea Príncipe Sultan, na província Al-Kharj, na Arábia Saudita. Ainda não há informações sobre a data em que ocorreu o ataque ao avião americano.

Reunião por videoconferência deve ocorrer nesta segunda-feira. Participarão do encontro virtual representantes dos países do Golfo, da Rússia e da Jordânia, para discutir "as repercussões dos ataques iranianos", segundo a agência oficial do Kuwait.

TRUMP FALA EM 'ACORDO PRÓXIMO'

Neste domingo (29), Donald Trump defendeu sua estratégia na guerra e disse não descartar a possibilidade de um acordo de paz "iminente". "Acho que vamos fechar um acordo com eles, tenho quase certeza disso", afirmou em entrevista coletiva.

Trump busca tranquilizar a opinião pública americana, cada vez mais desfavorável ao conflito. Ele disse que "promoveu uma mudança de regime" graças aos ataques que mataram o guia supremo Ali Khamenei, que deram início à guerra, em 28 de fevereiro. "O primeiro regime foi dizimado, destruído, estão todos mortos", declarou. "O regime seguinte", nomeado após a morte do aiatolá Khamenei, "está em grande parte morto também", acrescentou.

Republicano comentou a situação do novo aiatolá iraniano, Mojtaba Khamenei. "Ninguém ouviu falar dele. Ele pode estar vivo, mas está provavelmente em uma situação muito, muito grave", avaliou. Mojtaba, filho e sucessor de Ali, não foi visto desde que teria assumido o comando do país após o assassinato do pai.

Essa situação levou à formação de um "terceiro regime" no Irã, segundo Trump. "Estamos lidando com pessoas diferentes de todas aquelas com quem alguém já lidou anteriormente. É um grupo totalmente diferente, por isso considero uma mudança de regime".

Trump ainda anunciou que os "novos responsáveis iranianos" aceitaram aliviar "ligeiramente" o bloqueio do Estreito de Hormuz. A rota, que é passagem estratégica por onde transita 20% do petróleo mundial, está paralisada desde o início da guerra. O Irã deverá permitir nos próximos dias a passagem de 20 petroleiros pelo Estreito.

OFENSIVA TERRESTRE

Apesar de falar em "acordo próximo", os EUA não descartam uma invasão terrestre ao Irã. O objetivo da invasão seria extrair cerca de 450 quilos de urânio do país, segundo o jornal Wall Street Journal.

Trump insiste que, para que a guerra acabe, o Irã deve abrir mão de seus estoques de urânio enriquecido. Um navio americano de assalto anfíbio, à frente de um grupo naval composto por "cerca de 3.500" marinheiros e soldados do Corpo de Fuzileiros Navais, chegou à região na sexta-feira passada.

Irã denunciou o aumento de militares norte-americanos na região. "O inimigo envia publicamente mensagens de negociação e diálogo, enquanto planeja secretamente uma ofensiva terrestre". Nossos homens aguardam a chegada dos soldados americanos ao terreno para atacá-los e punir de uma vez por todas seus aliados regionais", ameaçou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.

Outra área estratégica visada pelos EUA é a ilha de Kharg. A faixa de terra situada no norte do Golfo, já bombardeada pelos EUA em meados de março, abriga o maior terminal petrolífero do Irã, responsável por cerca de 90% de suas exportações de petróleo bruto.