SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Os Estados Unidos anunciaram hoje a reabertura de sua embaixada na Venezuela, que estava fechada desde 2019.

EUA afirmaram que reabertura marca um novo capítulo na presença diplomática na Venezuela. Washington e Caracas estão com relações rompidas desde 2019. Os EUA foram contra a posse do presidente deposto Nicolás Maduro devido a dúvidas no processo eleitoral do país.

Os EUA e a Venezuela anunciaram em 5 de março que restabeleceriam suas relações. Mas até esta segunda-feira as atividades diplomáticas eram realizadas à distância, da embaixada em Bogotá.

Em janeiro deste ano, a embaixadora Laura F. Dogu foi escolhida para representar os EUA em Caracas. Segundo os EUA, Dogu vai liderar os esforços do governo dos EUA na Venezuela como encarregada de negócios. Laura Dogu foi a escolhida após os EUA ficarem 15 anos sem embaixador. O país não indicava um representante do governo para a Venezuela desde 2010.

Serviços consulares devem ser retomados em breve. O Departamento de Estado dos EUA declarou que a equipe da embaixadora Dogu está restaurando o prédio da chancelaria na embaixada em Caracas para preparar o retorno integral do pessoal "o mais breve possível e a eventual retomada dos serviços consulares".

EUA voltaram a hastear bandeira em embaixada na Venezuela após sete anos. "Começou uma nova era na relação entre Estados Unidos e Venezuela". Postagem da embaixada dos EUA da Venezuela no X, no dia 14 de março, mostrou o gesto simbólico, realizado em Caracas.

Hasteamento da bandeira ocorre exatamente sete anos após ser removida. A bandeira dos Estados Unidos foi hasteada pela última vez na embaixada dos EUA na Venezuela em 14 de março de 2019.

EUA fizeram operação para capturar Nicolás Maduro em 3 de janeiro. Na ocasião, o presidente da Venezuela foi capturado junto com sua esposa, Cilia Flores, e eles foram levados para Nova York, onde foram apresentados à Justiça. Ambos são acusados de narcotráfico e terrorismo.

A retomada das operações na Embaixada dos EUA em Caracas é um marco fundamental na implementação do plano de três fases do presidente para a Venezuela e fortalecerá nossa capacidade de interagir diretamente com o governo interino da Venezuela, a sociedade civil e o setor privado.

Departamento de Estados dos Estados Unidos

Maduro diz que está 'bem' em primeira mensagem publicada da prisão

O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que está "bem", em uma mensagem publicada no sábado (28) nas redes sociais. Essa foi a primeira mensagem desde que foi capturado e levado para os Estados Unidos. Maduro foi detido pelas forças americanas durante uma incursão militar em 3 de janeiro, que incluiu bombardeios a Caracas.

Ele está preso com a esposa, Cilia Flores, detida na mesma operação, em uma prisão de segurança máxima no Brooklyn. "Estamos bem, firmes, serenos e em oração permanente", escreveu Maduro a poucos dias da Semana Santa, uma data de grande importância na Venezuela, país de maioria católica.

Maduro está isolado em uma cela sem internet, nem jornais, com acesso ao pátio por uma hora ao dia. Uma fonte próxima ao venezuelano disse à AFP que ele tem permissão para conversar por telefone com a família e os advogados por, no máximo, 15 minutos. Não está claro se Maduro ditou a mensagem à sua equipe ou apenas aprovou o conteúdo. Ele assina o texto com Flores.

O governante deposto compareceu na última semana, com a esposa, a um tribunal federal em Nova York. O juiz rejeitou um pedido da defesa para arquivar as acusações.

Venezuelano é acusado de conspiração para o narcoterrorismo, importação de cocaína e crimes envolvendo metralhadoras e dispositivos destrutivos. A audiência teve caráter processual, com debate sobre provas e pedidos da defesa, sem decisão sobre culpa ou pena.

Donald Trump disse que o ditador venezuelano pode enfrentar novas acusações além das já apresentadas. "Ele foi acusado por apenas uma fração das coisas que fez. Outras acusações serão apresentadas", afirmou o presidente dos EUA a jornalistas na Casa Branca.