SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Líderes europeus reagiram às falas do presidente Donald Trump sobre a possibilidade de os Estados Unidos deixarem a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Trump disse nesta quarta-feira (1º) que estava insatisfeito com a aliança militar por sua falta de apoio à guerra do Irã.

Nos bastidores, segundo o jornal inglês Financial Times, Trump já havia ameaçado parar de fornecer armas à Ucrânia no combate contra a Rússia. Ele demandava que os europeus ajudassem a reabrir o estreito de Hormuz, passagem crucial para o mercado de petróleo que os iranianos mantêm interditada desde o início dos bombardeios israelo-americanos.

Os países afirmaram ser impossível fazer algo do tipo enquanto o conflito estivesse em andamento, com vários deles apontando que "esta não é nossa guerra".

O primeiro-ministro britânico Keir Starmer defendeu a Otan, que chamou de "a aliança militar mais eficaz que o mundo já viu". "Ela nos manteve seguros por muitas décadas, e estamos totalmente comprometidos com a OTAN", disse Starmer em uma entrevista coletiva, após Trump ter declarado ao jornal britânico Telegraph que a aliança era um "tigre de papel".

O governo francês também fez questão de demonstrar irritação com as palavras de Trump, afirmando que a aliança militar foi criada para garantir a segurança na área Euro-Atlântica, e não para lançar operações ofensivas no Oriente Médio.

"Deixe-me lembrar o que é a Otan. É uma aliança militar voltada para a segurança da região Euro-Atlântica. Ela não foi projetada para realizar operações no estreito de Hormuz, o que seria uma violação do direito internacional", disse a secretária do Exército francês, Alice Rufo, na conferência Guerra & Paz em Paris.

Rufo, que é uma aliada próxima do presidente Emmanuel Macron, afirmou que Paris trabalha em um plano para restaurar o trânsito e a liberdade de navegação por meios "de natureza não ofensiva".

Ainda nesta quarta, o gabinete do presidente finlandês Alexander Stubb informou que o político disse a Trump, por telefone, que "uma Otan mais europeia" estava tomando forma e que a Europa estava "assumindo responsabilidades".

"Discussão construtiva e troca de ideias sobre Otan, Ucrânia e Irã. Problemas existem para serem resolvidos, de forma pragmática", escreveu o finlandês em uma publicação nas redes sociais.

A ideia de Otan "mais europeia" estará na pauta da cúpula anual da aliança militar em Ancara, nos dias 7 e 8 de julho, informou o gabinete de Stubb.