SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar nesta quarta-feira (1º) que os objetivos militares do país na guerra do Irã estão "quase completos".

Trump minimizou o impacto do conflito que levou ao fechamento do estreito de Hormuz para o mercado de petróleo. "Nós não precisamos do Oriente Médio, não precisamos do petróleo deles", afirmou em pronunciamento.

Ele reafirmou que a guerra continua até que todos os objetivos sejam "totalmente terminados". "Nós vamos levá-los de novo para a Idade da Pedra, onde eles pertencem", disse Trump, afirmando novamente que isso deve ser obtido "rapidamente".

Trump também enviou indiretas para aliados da Otan, afirmando que os Estados Unidos não dependem de petróleo do estreito de Hormuz. "Países do mundo que usam o estreito de Hormuz precisam fazer algo a respeito. Para esses países, muitos dos quais se recusaram a fazer parte da nossa decapitação do Irã, tenho duas sugestões: comprem petróleo dos EUA, e criem coragem, vão ao estreito e tomem-no", disse.

"Eu sugiro que vocês comprem petróleo dos EUA, nós temos muito", continuou, dizendo que esses países, que não citou, deveriam atuar para abrir a passagem marítima. "A parte mais difícil nós já fizemos, agora deve ser fácil", disse.

A guerra contra o Irã já deixou milhares de civis mortos, principalmente ao arrastar para o conflito também o Líbano, cuja região sul foi ocupada pelo Exército israelense. O objetivo declarado das forças de Israel é combater o Hezbollah, grupo aliado ao Irã, mas Tel Aviv se prepara para uma longa ocupação do território libanês.

O conflito também criou caos na economia global devido ao bloqueio ao tráfego de petróleo com o fechamento do estreito de Hormuz. O barril do combustível ficou perto de atingir US$ 110 nesta segunda-feira (30).

O presidente citou a duração de guerras passadas dos EUA, que duraram anos, e disse que, em apenas "32 dias", o Irã foi destruído e não é mais uma ameaça.

Ele afirmou ainda que a mudança no regime não estava entre os objetivos da aliança israelo-americana, contradizendo declarações anteriores. "Mudança de regime não era nosso objetivo, mas houve mudança de regime, as novas pessoas são bem menos radicais", disse.

Nesta manhã, Trump havia dito nas redes sociais que o Irã pediu um cessar-fogo na guerra, o que foi negado pela República Islâmica. Ainda assim, o republicano disse que a suposta trégua seria analisada apenas com a reabertura do estreito de Hormuz, que está praticamente fechado por Teerã desde o início do conflito.

"O novo presidente do regime do Irã, muito menos radicalizado e muito mais inteligente do que seus antecessores, acabou de pedir aos Estados Unidos da América um CESSAR-FOGO!", escreveu Trump. Ele não deixou claro a quem se referia como "novo presidente", já que Masoud Pezeshkian está no cargo desde 2024.

"Vamos considerar isso quando o estreito de Hormuz estiver aberto, livre e desobstruído", completou Trump. A via marítima é um dos mais importantes canais de escoamento de petróleo, e seu bloqueio elevou o preço do combustível mundialmente.

O presidente Pezeshkian afirmou horas depois, em carta dirigida ao povo americano, que seu país não nutre qualquer inimizade contra os cidadãos americanos comuns. No texto, ele declarou que retratar o Irã como uma ameaça "não condiz com a realidade histórica nem com os fatos observáveis da atualidade".

Trump havia afirmado à agência de notícias Reuters mais cedo que pretendia expressar sua insatisfação com a Otan durante seu pronunciamento e que considerava retirar os EUA da aliança militar devido à falta de apoio do grupo ao conflito no Oriente Médio.

O presidente americano vem pressionando a Europa a ajudar militarmente na reabertura do estreito de Hormuz, importante via de escoamento de produção de petróleo no golfo Pérsico. A passagem foi fechada pelos iranianos em retaliação aos ataques de Estados Unidos e de Israel, que começaram em 28 de fevereiro.

Líderes europeus reagiram à fala do presidente americano, defendendo a aliança militar. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, chamou a Otan de "a aliança militar mais eficaz que o mundo já viu".

"Ela nos manteve seguros por muitas décadas, e estamos totalmente comprometidos com a Otan", disse Starmer em uma entrevista coletiva, após Trump ter declarado ao jornal britânico The Telegraph que a aliança era um "tigre de papel".

O governo francês também fez questão de demonstrar irritação com as palavras de Trump, afirmando que a aliança militar foi criada para garantir a segurança na área euro-atlântica, e não para lançar operações ofensivas no Oriente Médio.