SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um manifestante condenado por supostamente invadir instalações militares iranianas durante os protestos de janeiro de 2026 foi executado nesta quinta-feira (2).
Amirhossein Hatami foi enforcado pelas autoridades iranianas, segundo uma ONG e uma agência de notícias local. De acordo com a Iran Human Rights, o jovem foi detido em 8 de janeiro, "torturado até confessar um crime que não cometeu" e "sentenciado em um julgamento injusto".
Hatami foi acusado de invadir uma área militar de Teerã, segundo a agência de notícias iraniana Mizan. Segundo o governo iraniano, o jovem teria "incendiado instalações e tentado se apoderar de armas". Outros seis manifestantes que estavam com ele no local também foram presos e sentenciados à morte.
Em meados de março, três manifestantes dos protestos de janeiro foram executados no país. Saleh Mohammadi, Saeed Davodi e Mehdi Ghasemi foram acusados de matar dois policiais durante manifesações em Qom, segundo a ONG.
Um dos casos mais emblemáticos envolvendo punições a manifestantes no Irã foi o de Erfan Soltani, que teve a execução cancelada. Preso por "conspirar contra a segurança interna" do país, ele aguardou o enforcamento por dias até o governo iraniano informar que ele seria punido apenas com prisão. Entre os que ameaçaram o Irã em caso de execução estava o presidente dos EUA, Donald Trump.
MANIFESTANTES EXECUTADOS
Ao menos 141 prisioneiros foram executados pelo Irã em 2026, segundo a ONG Iran Human Rights. Entre os mortos estão quatro mulheres. A maioria dessas pessoas foi presa durante os protestos de janeiro.
O Irã reconheceu que ao menos 3.000 pessoas foram mortas durante confrontos em protestos no país. O balanço da Iran Human Rights, porém, é maior e estima que 6.854 pessoas foram mortas pelas forças de segurança iranianas.
As manifestações começaram no fim de dezembro de 2025, mas se intensificaram nas primeiras semanas de janeiro. Em retaliação, a comunicação do Irã com o exterior foi cortada por semanas.
Cerca de 40.000 manifestantes foram detidos. De acordo com a mesma instituição, buscas domiciliares foram feitas e postos de controle foram instalados para deter os envolvidos - entre eles, crianças.
O governo Trump considerou um ataque a Teerã em meados de janeiro para conter protestos no país. Na ocasião, rivais árabes do Irã na região do Golfo Pérsico pressionaram os EUA a não intervirem nos protestos.
A tensão entre os dois países escalou e, alegando motivos diferentes, Donald Trump acabou atacando o Irã pouco mais de um mês depois. Os ataques de 28 de fevereiro desencadearam uma guerra e instabilidade em todo o Oriente Médio. Não há, até o momento, uma previsão concreta para o fim da guerra.
