SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com o país enfrentando uma grave escassez de combustível, centenas de cubanos tomaram as ruas de Havana nesta quinta-feira (2) em bicicletas, motocicletas, patins e riquixás durante uma marcha anti-imperialista ao longo do calçadão Malecón, à beira-mar. A manifestação reuniu jovens que carregavam bandeiras de Cuba e imagens do guerrilheiro comunista Che Guevara.

O ato passou em frente à embaixada dos Estados Unidos na capital cubana, enquanto os manifestantes gritavam palavras de ordem contra as sanções americanas à ilha. O presidente Miguel Díaz-Canel acompanhou a mobilização e acenou para os manifestantes no início do percurso.

Durante a marcha, participantes defenderam a soberania de Cuba e criticaram pressões externas.

"Apesar da situação que temos hoje com o bloqueio, os jovens vieram participar porque isso também é uma demonstração de compromisso com nossos ideais", disse o instrutor de arte Carlos Castillo à agência de notícias Reuters.

Já a estudante María del Carmen Iglesias disse que o ato representa a defesa de princípios "anti-imperialistas" em um cenário internacional marcado por disputas entre potências.

Cuba enfrenta uma das mais severas crises econômicas e energéticas, com apagões frequentes, escassez de alimentos e dificuldades no abastecimento de combustível. As autoridades cubanas atribuem parte da situação ao endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos.

Desde janeiro, o presidente Donald Trump aplica restrições ao petróleo destinado à ilha e ameaça impor tarifas a países que mantenham exportações para Cuba. Na segunda-feira (30), a Rússia confirmou que um cargueiro carregado com petróleo bruto chegou à ilha. Não está claro por que a Casa Branca permitiu a chegada do petróleo russo agora, nem se futuros carregamentos serão autorizados.

No domingo (29), Trump demonstrou mudança de postura ao expressar solidariedade aos cubanos que enfrentam apagões e falta de serviços básicos. "Se um país quiser enviar petróleo para Cuba agora, não tenho problema nenhum com isso, seja a Rússia ou não", disse ele a jornalistas a bordo do Air Force One. Na ocasião, o navio Anatoly Kolodkin, transportando 730 mil barris de petróleo, aguardava para descarregar no porto de Matanzas.

A política americana de bloqueio tem causado graves impactos em Cuba, incluindo apagões diários, escassez de gasolina, alta nos preços e deterioração do atendimento médico, provocando críticas internacionais, inclusive das Nações Unidas, que classificaram a situação como crise humanitária.

Ao mesmo tempo, autoridades americanas, incluindo Trump e o secretário de Estado Marco Rubio, pressionam o regime cubano e indicam desejo de mudança política na ilha. Trump chegou a afirmar, em conferência de investimentos, que "Cuba é a próxima" e sugeriu que poderia usar força militar após a guerra no Irã.

O governo cubano, por sua vez, mantém postura firme. O vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossio, afirmou que o país se prepara para uma possível agressão militar dos EUA, mas ressaltou disposição para negociar com Washington.