SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O presidente Donald Trump decidiu demitir a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi. Informação foi divulgada pela imprensa norte-americana.

Trump anunciou saída do cargo na Truth Social, com elogios a ela. "Pam Bondi é uma Grande Patriota Americana e uma amiga leal, que cuidadosamente serviu como meu Procurador-Geral no ano passado", iniciou o texto.

Pam Bondi, 60, ficou 14 meses no cargo. Ela não havia comentado a saída do cargo até a última atualização deste texto.

Vice-procurador-geral, Todd Blanche, ficará no cargo de forma interina. Blanche é um ex-procurador federal, e foi o advogado principal de defesa de Trump em seu julgamento por acusações relacionadas ao pagamento de suborno à ex-atriz pornô Stormy Daniels.

Presidente estava frustrado com a liderança dela à frente do Departamento de Justiça. Segundo o jornal The New York Times, Trump não gostou da forma como lidou com os arquivos do caso Jeffrey Epstein. Bondi enfrenta acusações de que o Departamento de Justiça reteve indevidamente material em meio à liberação de milhões de documentos relacionados ao bilionário.

CASO EPSTEIN

Os arquivos de Epstein têm perseguido Bondi durante todo o mandato como procuradora-geral. Ela foi acusada de acobertamento no ano passado, quando o Departamento de Justiça disse que inicialmente não divulgaria material relacionado às investigações sobre Epstein, gerando nova atenção sobre a antiga amizade de Trump com o bilionário.

Parlamentares reclamam de cortes nos documentos. Eles avaliam que as edições nos arquivos do Departamento de Justiça ultrapassam os limites de uma lei aprovada pelo Congresso. Além disso, eles não publicaram parte do material, recusaram a divulgação de um grande volume de arquivos e citou prerrogativas legais para a decisão.

Bondi afirmou que a equipe teve pouco tempo. Procuradora-geral diz que mais de 500 advogados do departamento trabalharam em um prazo apertado para revisar as pilhas de material.

Após pressão e atraso, o Departamento de Justiça dos EUA publicou mais de três milhões de páginas de arquivos. Os documentos, liberados pelo órgão no dia 30 de janeiro, incluem milhares de fotos e vídeos, alguns registrados pelo próprio bilionário condenado por crimes sexuais. A publicação dos arquivos era esperada até o dia 19 de janeiro, o que não ocorreu.

Depois, em março, o órgão divulgou novos documentos do FBI, incluindo uma acusação de estupro contra o presidente dos EUA. Eles reúnem os depoimentos de uma mulher que, em 2019, afirmou ter sido agredida sexualmente por Epstein e Trump quando ela tinha entre 13 e 15 anos. O departamento justificou o atraso dizendo que eles foram marcados por engano como "duplicados".

A RELAÇÃO DE TRUMP COM EPSTEIN

Epstein foi preso pela primeira vez em 2008, quando foi sentenciado a 13 meses de prisão. Na época, os pais de uma menina de 14 anos denunciaram à polícia que o empresário havia abusado sexualmente da garota em sua mansão. Outras possíveis vítimas foram descobertas e foram encontradas fotos de meninas na casa dele.

Ele se livrou de pegar prisão perpétua. O bilionário fechou um polêmico acordo que o livrou de ficar encarcerado pelo resto da vida e fez com que ele fosse registrado na lista federal de criminosos sexuais. Enquanto preso, podia sair para trabalhar seis dias por semana.

Epstein voltou a ser preso em 2019, acusado de tráfico sexual. Ele foi denunciado por traficar dezenas de meninas, de explorá-las e abusá-las sexualmente. Desse caso, o bilionário se declarou inocente e sempre negou as acusações. Após um mês na cadeia, ele foi encontrado na cela e foi declarado morto aos 66 anos. A causa da morte divulgada oficialmente foi suicídio.

Trechos de documentos do caso Epstein foram divulgados na imprensa e revelaram que famosos e políticos participaram das polêmicas festas do empresário. Personalidades como Leonardo DiCaprio, Cameron Diaz, Cate Blanchett, Bruce Willis, Kevin Spacey, George Lucas e Naomi Campbell foram citados, além de Trump e Bill Clinton, mas nenhum deles recebeu acusações formais por crimes.

Donald Trump diz que rompeu laços com Epstein antes de 2008. Ele afirma repetidamente que não viu nenhuma evidência de tráfico sexual durante o convívio com o condenado.

Presidente dos EUA não enfrenta acusações da polícia pelo caso. As autoridades policiais nunca acusaram o político de atividade criminosa relacionada aos crimes de Epstein.