SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (02) que o Irã deve fazer um acordo para encerrar a guerra que assola o Oriente Médio "antes que seja tarde demais".

Trump voltou a ameaçar destruir o Irã caso o país não concorde em dar um basta na guerra iniciada há mais de um mês. O republicano postou um vídeo nas redes sociais nesta quinta com o que ele disse ser a maior ponte do Irã sendo derrubada em um ataque e declarou que é hora de o país "fazer um acordo antes que seja tarde demais".

Ponte destruída e exibida no vídeo de Trump liga Teerã à cidade de Karaj no oeste do país. A estrutura foi atingida por ataques aéreos na manhã de hoje, segundo informações da agência de notícias Fars.

Ataque deixou várias pessoas feridas, acrescentou a Fars. Conforme a agência, outras áreas de Karaj também foram atingidas no ataque aéreo. Não há, até o momento, relatos de mortos.

Nesta quarta-feira (01), Trump falou em atacar usinas de eletricidade iranianas e levar o país à Idade da Pedra. Em pronunciamento, o republicano afirmou que os EUA poderão "atingir cada uma das usinas geradoras de eletricidade com muita força e provavelmente de forma simultânea", caso não haja um acordo dentro de um prazo determinado".

Presidente dos EUA disse que os objetivos militares americanos na guerra contra o Irã estão próximos de ser alcançados. Ele também indicou que novos ataques à infraestrutura de energia iraniana devem ocorrer nas próximas semanas.

IRÃ REAGE ÀS AMEAÇAS

A República Islâmica prometeu ataques "devastadores" contra EUA, Israel e seus aliados. O regime afirma que as exigências feitas por Trump para encerrar a guerra são "maximalistas e irracionais", e ressaltou não haver, até o momento, nenhuma negociação para um cessar-fogo.

Irã também disse que os EUA e Israel não têm compreensão de seu poderio militar. "Esta guerra continuará até sua humilhação, desonra, arrependimento e rendição. Aguardem nossos ataques mais devastadores, amplos e mais destrutivos", declarou o porta-voz das Forças Armadas do Irã, Ebrahim Zolfaqari.

ESTREITO DE HORMUZ

Principal ponto de tensão na guerra, o Estreito de Hormuz segue bloqueado há um mês. O Estreito de Hormuz, ligação entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, responde por cerca de 20% da oferta diária de petróleo e também afeta cadeias como fertilizantes e plásticos.

O Irã passou a dizer que a passagem estava fechada só para adversários. Em 25 de março, o chanceler Abbas Araghchi afirmou que Hormuz estava "fechado apenas para os inimigos" e que não havia razão para deixar passar navios de "inimigos e de seus aliados". Na mesma declaração, disse que o Exército iraniano havia assegurado passagem segura para embarcações de países amigos.

No fim de março, o bloqueio ganhou efeito direto sobre oferta e navegação. Em 31 de março, o fechamento da passagem pelo Irã retirou cerca de 300 milhões de barris do mercado global, volume equivalente a quase três dias de consumo mundial de petróleo. O barril do tipo Brent terminou março perto de US$ 118 e acumulou alta superior a 60% no mês. O salto nos preços atingiu um nível histórico para o setor de energia global

A crise em Hormuz também passou a prender navios e tripulações na região. Em 1º de abril, a ONU classificou como "sem precedentes" o bloqueio que deixou cerca de 20 mil trabalhadores marítimos retidos em aproximadamente 2.000 embarcações. Segundo a OMI, houve 19 ataques a navios desde o início do conflito, com sete mortos, oito feridos e cinco desaparecidos, e o fluxo diário caiu de cerca de 150 navios antes da guerra para apenas quatro ou cinco.