SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Todd Blanche, advogado que defendeu Donald Trump em processos criminais, foi nomeado procurador-geral interino. Ele passará a chefiar o Departamento de Justiça após a saída de Pam Bondi.

Blanche era o número dois da pasta. A biografia oficial do Departamento de Justiça o apresenta como o 40º vice-procurador-geral dos Estados Unidos.

Pam Bondi, 60, ficou 14 meses no cargo. Em publicação no X, ela disse que trabalhará na transição de cargo antes de partir para o próximo desafio profissional, no setor privado.

No primeiro posicionamento público após a escolha, Blanche adotou tom de continuidade e alinhamento. Em publicação no X, ele elogiou a gestão de Pam Bondi, agradeceu a Trump "pela confiança" e pela oportunidade de servir como procurador-geral interino. Também afirmou que seguirá apoiando a polícia, aplicando a lei e fazendo "tudo ao nosso alcance para manter a América segura".

Defesa de Trump projetou Blanche nacionalmente. Ele foi confirmado pelo Senado em março do ano passado para o cargo de vice-procurador-geral. A Reuters informou que ele passou a supervisionar procuradores federais em todo o país e órgãos como FBI e DEA.

Quatro processos criminais marcaram essa atuação. Segundo a Associated Press, Blanche trabalhou no processo federal em Washington e no caso da Geórgia, ambos ligados às tentativas de reverter a derrota de Trump na eleição de 2020. Também atuou no caso federal sobre a guarda de documentos sigilosos levados para Mar-a-Lago após o fim do mandato.

Fraude em registros comerciais levou o caso de Nova York a julgamento. Nesse processo, o único a ir a julgamento, Trump foi acusado de fraudar registros comerciais para ocultar pagamentos feitos antes da eleição de 2016 e evitar que viesse a público a alegação de um caso extraconjugal com a ex-atriz pornô Stormy Daniels.

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL

Blanche deixou um grande escritório de advocacia para representar Trump. A Reuters informou que ele saiu do escritório Cadwalader, Wickersham & Taft em 2023 para defender o então ex-presidente. Depois disso, abriu a própria banca.

A atuação como advogado de Trump virou o ponto mais sensível da ida de Blanche ao governo. Na confirmação para o cargo, democratas questionaram se ele teria independência para exercer a função no Departamento de Justiça. A Reuters também registrou que ele evitou responder na audiência se declararia impedimento para revisar casos em que atuou como defensor de Trump.

Ele também atuou na defesa de outros aliados de Trump. A agência de notícias registrou que ele trabalhou em casos de Paul Manafort, Igor Fruman e Boris Epshteyn antes de assumir a defesa do presidente.

MUDANÇA PARTIDÁRIA

O Washington Post descreveu Blanche, em 2025, como um ex-democrata que se tornou republicano. O jornal o apresentou dessa forma ao tratar da atuação dele no governo Trump.

A nomeação leva ao topo da pasta um nome diretamente ligado à defesa de Trump. O histórico de Blanche reúne a atuação como advogado do presidente e a ascensão ao segundo cargo mais alto do Departamento de Justiça. Essa trajetória ajudou a alimentar questionamentos sobre sua independência durante a sabatina no Senado.