SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Exército do Irã prometeu nesta quinta-feira (2) realizar ataques devastadores contra Estados Unidos e Israel. O anúncio foi feito em resposta à ameaça feita pelo presidente americano, Donald Trump, de levar o país de volta à "Idade da Pedra" com bombardeios massivos nas próximas semanas.
"Com a confiança em Deus Todo-Poderoso, esta guerra continuará até sua humilhação, sua desonra, seu arrependimento definitivo e sua rendição", disse o comandante operacional do Exército iraniano, Khatam al-Anbiya, em comunicado na TV estatal. "Esperem ações ainda mais contundentes, amplas e devastadoras de nossa parte."
Durante o pronunciamento, Al-Anbiya afirmou que Washington e Tel Aviv têm informações incompletas sobre a capacidade militar do Irã e que os centros estratégicos de produção de mísseis, drones de longo alcance e sistemas de defesa aérea do país não foram destruídos.
"Os locais que vocês acreditam ter atacado são insignificantes, e nossa produção militar estratégica ocorre em regiões que vocês desconhecem completamente e nunca conseguirão alcançar."
Horas depois, Trump publicou em sua plataforma, a Truth Social, um vídeo de dez segundos que mostra uma ponte, envolta em nuvens densas de fumaça, explodindo e caindo após ser atingida.
"A maior ponte do Irã vem abaixo para nunca mais ser usada -muito mais virá! É hora do Irã fazer um acordo antes que seja tarde mais e não reste nada do que ainda poderia se tornar um grande país", escreveu, sem indicar o local ou dar contexto sobre o ataque.
A mídia estatal iraniana informou que oito pessoas morreram e 95 ficaram feridas quando a ponte, que liga Teerã à cidade de Karaj, no oeste do país, foi atingida por ataques aéreos. Relatos locais indicam também que algumas grandes siderúrgicas e o Instituto Pasteur de Pesquisa Médica do Irã, em Teerã, sofreram danos graves.
O comandante-chefe do Exército persa, Amir Hatami, disse mais cedo à mídia estatal iraniana que, diante do aumento de tropas americanas na região do Golfo, os quartéis-generais operacionais monitoram "os movimentos inimigos com o máximo de pessimismo e precisão" e se preparam para contra-atacar diante de qualquer ofensiva. "Nenhuma tropa inimiga deve sobreviver se os adversários tentarem uma operação terrestre."
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou, também à TV estatal, ter atacado instalações de aço e alumínio ligadas aos EUA em países do Golfo como forma de aviso de que, se as indústrias do país forem atingidas novamente, a "próxima resposta de Teerã será mais dolorosa".
A força de elite do regime iraniano também disse ter atingido uma sede da Amazon no Bahrein, cumprindo a ameaça de atacar empresas americanas localizadas em países aliados dos EUA.
Os ataques são é uma retaliação após as duas maiores usinas siderúrgicas do Irã -Khuzestan e Mobarakeh- anunciarem paralisação das atividades por bombardeios sofridos desde a semana passada.
Também nesta quinta, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou a jornalistas durante uma visita de Estado à Coreia do Sul que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã não resolve a questão do programa nuclear de Teerã e defendeu negociações diplomáticas, técnicas e aprofundadas como solução.
O líder francês criticou o comportamento de Donald Trump em relação à Otan após o americano ter ameaçado, de novo, deixar a aliança militar por estar insatisfeito com o que classifica de falta de apoio à guerra contra o Irã.
"Se criamos a cada dia dúvidas sobre nosso compromisso, esvaziamos sua essência", disse Macron. "É uma responsabilidade que as autoridades americanas estão assumindo hoje ao dizer a cada manhã que faremos isso ou não faremos aquilo. Fala-se demais, e vai-se em todas as direções. [...] É preciso ser sério, e quando se quer ser sério não se pode dizer a cada dia o contrário do que se disse na véspera."
Macron também chamou de irrealista a opção de realizar uma operação militar, como desejam os EUA, para liberar à força o estreito de Hormuz, passagem marítima de um quinto do petróleo mundial bloqueada pelo Irã desde o início da guerra.
A reabertura foi discutida nesta quinta, em uma reunião virtual presidida pelo Reino Unido e da qual participaram cerca de 40 países, incluindo França, Alemanha, Itália, Canadá e Emirados Árabes Unidos -os EUA não estiveram presentes. O encontro acontece depois que Trump afirmou que era responsabilidade dos países que dependem da via marítima garantir que ela estivesse operando.
Inicialmente, os países europeus recusaram a exigência de Trump de enviar suas Marinhas para a área devido ao temor de serem arrastados para o conflito, mas a preocupação com o impacto do aumento do custo de energia na economia global os levou a formar uma coalizão para discutir caminhos para a liberação do estreito assim que um cessar-fogo for acordado.
A ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, afirmou ao fim da reunião que "os parceiros pediram hoje a reabertura imediata e incondicional do estreito". Segundo ela, os países concordaram em explorar "medidas econômicas e políticas, como sanções" contra o regime iraniano. "Vimos o Irã sequestrar uma rota marítima internacional para manter a economia global como refém", afirmou.
Os representantes de Itália, Holanda e Emirados Árabes Unidos manifestaram na reunião a necessidade de criar um "corredor humanitário" o mais rápido possível. "Em primeiro lugar para os fertilizantes e para tudo o que for necessário para evitar uma nova crise alimentar, especialmente nos países africanos", afirmou um comunicado do Ministério das Relações Exteriores italiano.
Em resposta ao pedido de Trump de que os países afetados pelo bloqueio tomem o controle do estreito de Hormuz, a China deu nome aos culpados. "A maior causa das interrupções na navegação pelo estreito de Hormuz são as operações militares ilegais dos EUA e de Israel contra o Irã", disse a porta-voz da chancelaria chinesa, Mao Ning, em entrevista coletiva. "Meios militares não podem resolver o problema, e a escalada de conflitos não atende aos interesses de nenhuma das partes."
Pequim também definiu os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã como "uma violação clara do direito internacional".
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quinta que espera um fim rápido para o conflito no Oriente Médio e que está pronto para fazer tudo o que for necessário para ajudar a restaurar a paz na região, segundo a agência de notícias Interfax.
