WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu a secretária de Justiça, Pam Bondi, nesta quinta-feira (2). A informação partiu de uma série de relatos de autoridades da Casa Branca à imprensa americana e foi confirmada pelo republicano em sua plataforma, a Truth Social. Ela será substituída interinamente por Todd Blanche, número dois do Departamento de Justiça.

"Pam fez um trabalho tremendo supervisionando uma repressão massiva ao crime em todo o nosso país [...]. Amamos Pam, e ela fará a transição para um novo emprego muito necessário e importante no setor privado, a ser anunciado no futuro próximo", escreveu Trump sobre Bondi, a quem chamou de "grande patriota americana e uma amiga leal".

A queda de Bondi já era uma possibilidade ventilada há semanas. Esta demissão marca a segunda saída de uma mulher no gabinete de Trump -a primeira foi a ex-secretária Kristi Noem, que liderava o Departamento de Segurança Interna e foi demitida após crises no ICE e por envolver Trump em uma campanha publicitária da sua pasta que custou US$ 200 milhões (R$ 1,03 bilhão).

Agora, de acordo com o jornal The New York Times, o presidente teria demonstrado insatisfação com a atuação de Bondi na condução do caso Epstein, que se tornou crise política para o republicano.

Bondi acumula polêmicas na liberação dos arquivos relacionados a Jeffrey Epstein, criminoso sexual morto em 2019. Ela foi criticada pelo atraso na divulgação dos papéis e por reter documentos com menções a Trump.

De acordo com o jornal americano, a má condução se tornou um problema político para Trump e seus aliados, uma vez que, em campanha, ele prometeu transparência sobre o caso, questão importante para a base Maga (acrônimo para Make America Great Again, ou Faça a América Grande Novamente).

Em paralelo, a resistência do presidente também causou desgaste entre o governo e sua base no Partido Republicano, com alguns parlamentares governistas chegando a sugerir que Trump teria algo a esconder. Quando ficou claro que a pressão era grande demais, ele mudou de estratégia e passou a apoiar a divulgação do material, posteriormente obrigada por lei em novembro de 2025.

Em uma polêmica entrevista publicada pela revista Vanity Fair no ano passado, a chefe de gabinete de Trump, Susie Wiles, já demonstrava que a atuação de Bondi não era bem avaliada na Casa Branca. "Ela fez uma burrada e não percebeu que a base [de Trump] ligava muito para essa história", disse Wiles, em referência ao caso Epstein.

Em setembro do ano passado, Trump já tinha dado sinais de insatisfação pela atuação do Departamento de Justiça por, segundo ele, não agir com firmeza contra seus adversários políticos, como o ex-diretor do FBI James Comey, o parlamentar democrata Adam Schiff e a procuradora-geral de Nova York, Letitia James.

À frente do Departamento de Justiça -pasta que, por tradição, mantém certa independência em relação ao Executivo e mistura funções desempenhadas pelo Ministério da Justiça e o Ministério Público Federal no Brasil-, a secretária não poupou elogios a Trump durante seu mandato. Chamou o republicano de "melhor presidente da história" e, em audiência no Congresso marcada por discussões acaloradas com parlamentares, reagiu a críticas: "Você fica aqui atacando o presidente, e eu não vou aceitar isso. Não vou tolerar."

Quando a anunciou para o cargo, ainda em 2024, Trump afirmou que a advogada "foi procuradora por quase 20 anos, quando foi muito dura contra criminosos violentos e tornou as ruas da Flórida seguras para famílias. Como procuradora-geral [do estado], trabalhou para parar o tráfico de drogas e diminuir overdoses".

Naquele momento, o então presidente eleito fez referência à relação do Departamento de Justiça com o Executivo. "Há muito tempo o Departamento da Justiça é aparelhado contra mim, mas isso acaba aqui. Pam vai redirecionar [a pasta] de volta ao seu propósito de enfrentar o crime e tornar a América segura novamente. Conheço a Pam há muitos anos, ela é inteligente e durona, uma lutadora que coloca a América em primeiro lugar e que será uma ótima procuradora-geral", disse Trump.

Bondi foi somente a quarta mulher a chefiar o órgão, que é responsável, por exemplo, pelo FBI, a polícia federal americana -mas ao mesmo tempo atua como acusação em casos que envolvem crimes federais.