BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, propôs à Rússia nesta segunda-feira (6) uma trégua de ataques mútuos à infraestrutura de energia dos dois países. Moscou e Kiev têm aumentado esse tipo de ofensiva ao menos desde o fim do ano passado.

"Se a Rússia estiver disposta a deixar de atacar nosso setor energético, nós estaremos dispostos a responder da mesma maneira", afirmou Zelenski em discurso no qual também disse que a proposta foi transmitida ao Kremlin através dos Estados Unidos, que atua como mediador.

Moscou ainda não comentou a fala do presidente ucraniano. Na semana passada, Zelenski já havia falado sobre proposta similar de cessar-fogo para a Páscoa (no calendário da Igreja Ortodoxa, majoritária nos dois países, a Páscoa cai no próximo domingo, dia 12).

Na ocasião, o Kremlin fez comentários em que apenas mencionou a busca por um acordo de paz mais geral. Os dois lados divergem quanto ao formato e os termos de eventual pausa nos conflitos, e Zelenski tenta retomar os debates sobre a guerra no Leste Europeu, que se estende enquanto o mundo se volta ao cada vez mais complexo conflito no Irã.

Nesta mesma segunda-feira, a Rússia bombardeou a cidade portuária de Odessa, no sul ucraniano, e matou ao menos três pessoas, incluindo uma criança de dois anos. Segundo Zelenski, 16 pessoas ficaram feridas. O ataque abriu uma cratera em um prédio residencial, que foi incendiado, e também deixou milhares de residências sem energia elétrica, segundo informações da AFP.

A DTEK, maior empresa privada de energia do país invadido, confirmou que mais de 16 mil pessoas ficaram sem energia elétrica após o ataque.

Segundo Zelenski, a Rússia lançou mais de 140 drones durante a noite, atingindo instalações energéticas nas regiões de Tchernihiv, Sumi, Kharkiv e Dnipro.

Na Rússia, um ataque ucraniano com drones em Novorossiisk feriu oito pessoas, incluindo duas crianças, segundo o governador regional, Veniamin Kondratiev. As autoridades divulgaram um vídeo de um edifício residencial atingido, com as janelas e varandas dos andares superiores destruídas.

Desde que iniciou a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, desencadeando o conflito mais violento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, Moscou tem lançado drones e mísseis contra o território vizinho quase diariamente, respondidos com menos frequência, mas periodicamente, por Kiev.

Os mais de quatro anos de conflito transformaram as tecnologias militares, em particular o desenvolvimento em larga escala de drones de combate.

Essses armamentos, manejados à distância, baratos em comparação com mísseis e ainda assim com alta capacidade para provocar danos, têm mudado a forma de se fazer a guerra tanto na frente de batalha como nos territórios dos envolvidos no conflito --inclusive adicionando um elemento de assimetria que permite a atores menores atingirem alvos sensíveis de grandes potências.

É o caso da estratégia atual da Ucrânia, que mira cidades importantes e infraestrutura energética, particularmente envolvida na produção de petróleo russo, produto fundamental para a economia do país invasor.