SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Kataib Hezbollah, grupo paramilitar do Iraque alinhado ao Irã, anunciou nesta terça-feira (7) que libertará a jornalista americana Shelly Kittleson sob a condição de que ela deixe o país imediatamente. A repórter foi sequestrada há uma semana em Bagdá.

O comunicado foi feito pelo porta-voz de segurança do grupo armado, Abu Mujahid al-Assaf. Segundo ele, trata-se de um gesto excepcional, que "não será repetido", ao justificar que o grupo se considera em guerra contra o que chamou de "inimigo sionista-americano", situação em que "muitas considerações são descartadas".

O porta-voz não deu prazo para a libertação da jornalista. O Kataib Hezbollah busca estabelecer no Iraque um regime alinhado com o Irã e é bancado pela República Islâmica.

Após o sequestro de Kittleson na última terça (31), o Ministério do Interior do Iraque afirmou que forças de segurança iniciaram buscas imediatas com base em informações de inteligência. Um funcionário de segurança do alto escalão iraquiano disse à AFP na quarta-feira que as autoridades prenderam um membro de um grupo pró-Irã suspeito de estar ligado ao sequestro de uma jornalista.

Washington afirmou que o detido teria vínculos com o Kataib Hezbollah.

Imagens de câmera de segurança exibidas pela emissora Al Arabiya e verificadas pela agência de notícias Reuters mostram o que seria o momento do sequestra. O vídeo registra um carro prata parando em uma rua e, em seguida, vários homens empurrando uma pessoa que estava próxima para dentro do veículo antes de fugirem.

O registro indica que a gravação foi feita às 17h26, no horário local. O Departamento de Estado não havia identificado oficialmente Kittleson, mas ela foi depois reconhecida por entidades de defesa da imprensa e por um dos veículos para os quais trabalhava.

O site especializado em Oriente Médio Al-Monitor informou que Kittleson é uma jornalista freelancer baseada em Roma, que cobriu diversos conflitos na região.

Bagdá já foi conhecida por sequestros e tentativas de rapto, mas esses casos diminuíram à medida que a situação de segurança no Iraque melhorou nos últimos anos. A acadêmica israelense-russa Elizabeth Tsurkov foi sequestrada em Bagdá em 2023 e ficou detida por dois anos até sua libertação no ano passado.