SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um sargento do Exército dos EUA tenta impedir a deportação da esposa, detida dentro de uma base militar na Louisiana poucos dias após o casamento. As informações são da CBS News e do New York Times.
Matthew Blank levou a esposa, Annie Ramos, 22, a Fort Polk na quinta-feira passada para iniciar o processo de benefícios militares e de regularização migratória. Segundo ele, a ideia era que ela tirasse a identidade militar e ativasse direitos de cônjuge, como seguro saúde, antes de se mudar para a casa do casal na base.
Agentes federais de imigração entraram na base e detiveram Ramos, nascida em Honduras e levada aos EUA ainda criança. "Eu nunca imaginei que tentar fazer a coisa certa levaria a ela ser tirada de mim. O que deveria ser a semana mais feliz das nossas vidas virou uma das mais difíceis", afirmou Blank, em comunicado à Associated Press.
Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês) disse que ela não tem situação migratória regular e que há uma ordem final de deportação. "Ela não tem status legal para estar neste país. Esta administração não vai ignorar o Estado de Direito", afirmou o órgão, em comunicado.
Especialistas e grupos de apoio a famílias militares criticaram a detenção e alertaram para efeitos sobre moral e recrutamento. "Não faz sentido: eles vão ser presos por seguir a lei? Isso é estúpido. É ruim para o moral, atrapalha a prontidão dos soldados", disse Margaret Stock, especialista em direito de imigração militar.
Blank diz que vai seguir tentando a libertação da esposa e a suspensão da remoção. "Eu quero minha esposa em casa. E não vou parar de lutar até que ela volte para onde pertence, ao meu lado", disse ele à CBS News.
Segundo o relato do casal e da família, eles fizeram check-in no centro de visitantes com documentos pessoais e a certidão de casamento. Blank disse que avisou que a esposa não tinha visto nem green card e que um advogado já preparava o pedido de residência permanente.
Após a conferência dos papéis, funcionários acionaram autoridades da base e depois o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA), segundo o sargento e sua mãe. "Eles nos disseram: 'Vamos dar um jeito'", relatou Blank.
Jen Rickling, mãe do militar, afirmou que pediu para que a nora não fosse levada. "Disseram-nos que não tinham outra escolha, que tinham de levar a Annie. Implorei para que não a levassem. Eles disseram que os superiores os obrigaram a fazer isso", contou Rickling.
Ramos entrou nos EUA em 2005, quando tinha menos de dois anos, e a família não compareceu a uma audiência de imigração, o que resultou em ordem de remoção, segundo o DHS. Em 2020, ela pediu o Daca (Ação Diferida para Chegadas na Infância), mas o marido diz que o processo ficou parado em meio a disputas judiciais sobre o programa.
Blank afirma que o casal buscou orientação jurídica antes do casamento e acreditava estar seguindo o caminho formal para regularização. "Eu sabia que ela não tinha status. Estávamos fazendo tudo da maneira correta", disse ele, ao New York Times.
Em ligação do centro de detenção, Ramos disse que sua vida está nos EUA e que teme ser separada do marido e da família. "Cresci aqui como qualquer americano. Isto é tudo o que sei. O meu marido e a minha família estão aqui", afirmou.
O caso ocorre em meio ao endurecimento da política migratória do governo Trump e ao fim de diretrizes de leniência para familiares de militares. Em abril do ano passado, o DHS eliminou uma política de 2022 que tratava o serviço militar de parente próximo como fator relevante para reduzir ações de fiscalização.
Uma carta assinada por mais de 60 congressistas alertou que prisões de familiares de militares e veteranos podem quebrar compromissos feitos com quem serve ao país. Eles afirmaram que a política estaria "traindo suas promessas aos membros das Forças Armadas, que desempenham um papel fundamental na proteção da segurança nacional dos EUA" e disseram temer uso de dados fornecidos voluntariamente ao governo.
O advogado do casal pediu ao ICE que liberte Ramos enquanto prepara uma moção para reabrir a ordem antiga de deportação, o que poderia impedir a remoção. "Vamos lutar com todas as nossas forças. Ela vai morar comigo. Vamos formar uma família. Vou ficar com ela e servir meu país", disse Blank, ao New York Times.
