SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Em meio a um conflito que já dura mais de um mês, filhos de autoridades iranianas estão vivendo e trabalhando nos Estados Unidos. Um levantamento do New York Post aponta que eles atuam como professores e pesquisadores em universidades norte-americanas.
A questão tem gerado debate. Embora uma docente já tenha sido demitida e outra seja alvo de petição para possível deportação, há profissionais que permanecem em suas funções.
O caso mais conhecido é o de Fatemeh Ardeshir-Larijani. Ela é filha de Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, que morreu em um ataque aéreo em março.
Médica, ela lecionava na Universidade Emory, em Atlanta, mas acabou sendo demitida. A instituição afirmou que a decisão ocorreu por "questões pessoais", sem dar mais detalhes, em meio à escalada da tensão entre os dois países. Um deputado teria pedido, inclusive, que sua licença médica fosse revogada.
Já Leila Khatami, filha do ex-presidente iraniano Mohammad Khatami, dá aulas de Matemática no Union College, em Nova York. Embora não haja ligação direta de seu pai com o atual regime, sua biografia foi removida do site da instituição, paralelamente a uma petição com mais de 80 mil assinaturas pedindo a investigação de seu status migratório.
Zahra Mohaghegh Damad é sobrinha de Larijani e filha do aiatolá Mostafa Mohaghegh Damad, clérigo xiita que ocupou diversos cargos no governo iraniano. Ela atua como diretora e professora no Departamento de Engenharia Nuclear da Universidade de Illinois. Aparentemente, segue exercendo suas funções normalmente.
Já Eissa Hashemi é filho de Masoumeh Ebtekar, ex-membro do Parlamento iraniano, que ocupou um dos cargos mais altos do governo e ficou conhecida por defender leis que obrigam o uso do hijab no país. Ele é atualmente professor associado na Escola de Psicologia Profissional de Chicago, em Los Angeles, e, segundo o jornal, permanece no cargo.
Esse também é o caso de Zeinab Hajjarian, professora assistente de engenharia biomédica na Universidade de Massachusetts Lowell. Ela é filha de Saeed Hajjarian, que atuou nos serviços de segurança e inteligência do Irã e foi conselheiro do ex-líder supremo Ruhollah Khomeini.
Por fim, Ehsan Nobakht também atua nos Estados Unidos como professor associado na Faculdade de Medicina e Ciências da Saúde da Universidade George Washington. Ele é filho de Ali Nobakht, médico iraniano e ex-membro reformista do Parlamento, que também foi vice-ministro da Saúde do Irã.
Por enquanto, não há posicionamento oficial sobre possíveis demissões ou até deportações desses professores. Mesmo com o recente cessar-fogo, a tensão entre os Estados Unidos e o Irã persiste.
