SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Donald Trump avalia medidas para punir países da Otan por falta de apoio na guerra contra o Irã. Informação é do The Wall Street Journal.
Plano em estudo na Casa Branca prevê retaliações a aliados que, na visão do governo, atrapalharam os EUA durante o conflito. Entre as opções citadas pelo jornal está transferir tropas americanas de alguns países para os que apoiaram a ofensiva no Oriente Médio.
A Otan é uma aliança militar formada por mais de 30 países. Entre eles, os EUA e nações europeias, como França, Itália e Reino Unido.
Polônia, Romênia, Lituânia e Grécia aparecem como possíveis destinos de unidades deslocadas. A mudança, se ocorrer, pode aumentar a presença militar americana mais perto da Rússia e elevar a tensão no Leste Europeu.
Outra hipótese discutida seria fechar uma base militar dos EUA na Europa. Segundo o WSJ, a medida poderia atingir instalações na Espanha ou na Alemanha.
Espanha e Alemanha foram citadas no relato por terem se posicionado contra aspectos da ofensiva. O governo espanhol barrou o uso do espaço aéreo por aviões americanos envolvidos na operação contra o Irã, enquanto a Alemanha criticou a ação, apesar de abrigar centros importantes de apoio militar dos EUA.
Trump tem aumentado as críticas públicas à aliança e cobrado mais participação dos aliados em operações no Oriente Médio. Nos últimos dias, ele também pressionou por apoio para a reabertura do Estreito de Hormuz, ponto estratégico para o transporte de petróleo.
Em março, Trump afirmou nas redes sociais que países da Otan "não fizeram absolutamente nada" para ajudar os EUA no Irã. Depois, disse que os americanos não precisavam da aliança e voltou a ameaçar retirar o país do tratado.
Autoridades europeias ouvidas pelo jornal dizem que não foram consultadas antes do início dos ataques ao Irã. Esse fator, de acordo com o relato, teria dificultado a coordenação de uma resposta militar conjunta nos primeiros dias da guerra.
A Casa Branca reforçou hoje o discurso de que a Otan falhou em apoiar os EUA durante o conflito. A secretária de imprensa Karoline Leavitt citou palavras de Trump ao afirmar: "Eles foram postos à prova e falharam."
Leavitt disse que o governo considera negativa a postura da aliança nas últimas semanas. "É bastante triste que a Otan tenha dado as costas ao povo americano nas últimas seis semanas, quando é justamente esse povo que financia sua defesa", afirmou.
As declarações ocorreram poucas horas antes de uma reunião entre Trump e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Antes do encontro, Rutte conversou com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o Departamento de Estado informou que o diálogo incluiu as operações contra o Irã, a guerra na Ucrânia e a divisão de encargos entre os aliados.
Os EUA têm papel central na Otan desde a criação da aliança, em 1949. Em 2025, os demais integrantes aprovaram um aumento significativo dos gastos com defesa, dentro de um plano com metas até 2035.
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