SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que ataques de Israel ao Líbano é uma violação ao cessar-fogo, e não pretender "abandonar" o país.
"O Irã nunca abandonará seus irmãos e irmãs libaneses", disse. A declaração foi publicada hoje pelo X, um dia após divergências sobre os termos do acordo.
Para Pezeshkian, a continuidade dos ataques israelenses ao Líbano "tornará as negociações sem sentido". "O novo ataque do regime sionista é uma violação flagrante do acordo inicial de cessar-fogo. Isso é um sinal perigoso de engano e falta de compromisso com os acordos potenciais. Nossas mãos permanecem no gatilho", acrescentou.
Ontem, o Irã voltou a fechar o Estreito de Hormuz após Israel atacar o parceiro. Teerã condicionou a passagem das embarcações a parada imediata das ofensivas a Beirute. Horas antes, havia reaberto o canal, cumprindo a condição apresentada por Donald Trump para uma trégua temporária.
Desde o início, Israel afirmou que o Líbano não seria incluído no cessar-fogo, o que foi confirmado depois por Trump. Para a o PBS News Hour, o presidente norte-americano relatou que Beirute não foi envolvido no acordo por conta da presença do grupo Hezbollah em seu território. A Casa Branca também afirmou que o documento com 10 pontos para o cessar-fogo divulgado pelo Irã não é o mesmo que Washington recebeu.
Irã diz que termos são "claros e explícitos" e destaca publicação do Paquistão que inclui o Líbano na trégua. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, destacou, em publicação nas redes sociais, trechos de um post do primeiro-ministro paquistanês, país que mediou a trégua, que mencionava a inclusão do Líbano no acordo.
Araghchi acrescentou que os EUA precisam escolher entre um cessar-fogo ou a continuidade da guerra por meio de Israel. "Não pode ter ambos. O mundo vê os massacres no Líbano. A bola está na quadra dos EUA, e o mundo está observando se eles agirão de acordo com seus compromissos", escreveu.
Países europeus também pedem a inclusão do território libanês. "Essa escalada é prejudicial. Queremos que o cessar-fogo seja estendido para abranger todo o Líbano", defendeu Yvette Cooper, ministra das Relações Exteriores do Reino Unido.
Israel admitiu ter realizado hoje seu "maior ataque coordenado" contra o Hezbollah, em Beirute. O exército lançou diversos mísseis em direção à capital libanesa, e enormes colunas de fumaça foram registradas na cidade.
Ataques israelenses deixaram ao menos 254 mortos e cerca de 1.165 pessoas feridas. A informação foi divulgada pelo ministro da Saúde libanês, Rakan Nasreddine.
Moradores afirmam que Israel não emitiu aviso prévio de ataque. Com isso, os civis não conseguiram buscar áreas de proteção, segundo a agência de notícias Reuters.
Ministro afirmou que o ataque de hoje foi o "maior golpe sofrido" pelo Hezbollah desde 2024. "As forças de defesa de Israel executaram um ataque surpresa contra centenas de terroristas do Hezbollah em centros de comando por todo o Líbano", anunciou o chefe da Defesa israelense, Israel Katz.
