SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Israel voltou a lançar bombardeios em direção ao Líbano hoje, um dia depois de matar ao menos 254 pessoas e deixar centenas de feridos em ataques realizados na capital Beirute e outras cidades.
Exército israelense atacou pontos de Beirute na manhã de hoje. Também foram alvos cidades localizadas no sul libanês que, segundo Israel, seriam redutos de membros do Hezbollah.
Israel afirma ter matado Ali Yusuf Harshi, sobrinho de Naim Qasser, líder do Hezbollah. Harshi, que também era secretário pessoal de Qassem, teria sido morto no bairro de Tallet Khayat, em Beirute, informou o estado judeu.
O ataque causou o desabamento parcial de um prédio de vários andares. Imagens do local mostram os danos à estrutura no bairro residencial de Beirute, que foi o alvo da ofensiva israelense. Até o momento, não há registros de civis feridos.
Forças israelenses também bombardearam duas passagens no rio Litani. O Exército judeu afirma que o Hezbollah usava esses locais para transferir milhares de armas e foguetes durante a noite.
Israel atingiu cerca de dez alvos militares da milícia libanesa na região sul. A ofensiva destruiu depósitos de armas, lançadores de foguetes e centros de comando do grupo apoiado pelo Irã.
Ontem, Israel realizou o que classificou como "maior ataque coordenado" contra o Hezbollah desde 2024. Os bombardeios israelenses deixaram ao menos 254 mortos e cerca de 1.165 pessoas feridas, de acordo com dados do governo libanês.
Os sucessivos bombardeios de Israel no Líbano põem em risco o cessar-fogo firmado com o Irã. A República Islâmica pede que a trégua se estenda também ao conflito no Líbano, mas tanto Israel quanto os Estados Unidos legitimaram os bombardeios em Beirute.
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o Líbano está fora do acordo. Ele diz apoiar a decisão de suspender os ataques ao Irã, mas ressalta que a trégua não vale para o território libanês.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse algo semelhante. Para a TV PBS, o norte-americano relatou que Beirute não foi envolvido no acordo devido à presença do grupo Hezbollah em seu território.
Além da situação delicada no Líbano, o tráfego no Estreito de Hormuz também põe em risco o cessar-fogo. Principal rota marítima para o transporte de petróleo do mundo, o estreito está bloqueado pelo Irã desde março.
O cessar-fogo previa a liberação de embarcações no estreito. Porém, nas últimas 24 horas apenas um navio-tanque de produtos petrolíferos e cinco graneleiros navegaram pela rota, segundo a agência Reuters.
Tráfego em Hormuz se manteve praticamente parado neste início de trégua na guerra. Antes do xonflito, cerca de 140 navios navegavam diariamente pelo estreito, conforme a Reuters.
Estados Unidos e Irã retomam as negociações pelo fim da guerra nesta sexta-feira (10). As reuniões vão acontecer no Paquistão com o objetivo de encerrar definitivamente o conflito, que também envolve Israel.
As tratativas ocorrem em meio a um cessar-fogo frágil. A trégua começou na noite de terça-feira (7), mas o governo iraniano já acusa os rivais de violarem o acordo.
O enriquecimento de urânio é o principal impasse entre os dois países. O mecanismo é essencial para produzir ogivas nucleares e foi um dos motivos que levaram os EUA a iniciar a guerra contra o regime iraniano.
