SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse nesta quinta-feira (09) que ordenou que seu gabinete inicie negociações de paz com o Líbano, que é atacado pelo país desde 2 de março. O presidente do Líbano também confirmou a possibilidade de um acordo.
Negociações diretas devem acontecer "o mais breve possível", disse o comunicado de Netanyahu. Segundo divulgado pelo gabinete nas redes sociais, a abertura do diálogo é fruto de "apelações reiteradas do Líbano".
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, também confirmou o início das negociações com Israel. Segundo mostrou o canal Al Jazeera, líder libanês disse que o país de Netanyahu deu uma "resposta positiva" ao começo das conversas. "A única solução para a situação atual no Líbano é alcançar um cessar-fogo", disse.
Os dois países devem focar em desarmar o Hezbollah e na "regulamentação de relações de paz", segundo Israel. Nesta quarta-feira (08), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o Líbano não seria incluído no cessar-fogo de duas semanas por causa do Hezbollah.
Desde então, o Irã tem acusado Israel e EUA de violarem o frágil cessar-fogo por causa desses bombardeios. Representantes de nações da Europa reforçaram hoje o pedido de inclusão do país na trégua.
Mais de 1.800 pessoas morreram em ataques no Líbano desde março, segundo balanço do Ministério da Saúde do país. Ontem, nos primeiros ataques após o cessar-fogo, ao menos 254 pessoas morreram e outras mil ficaram feridas.
BOMBARDEIOS NO LÍBANO
Os bombardeios de Israel contra o Líbano foram intensificados com o início da guerra no Irã. Ataques se intensificaram depois que o Hezbollah voltou a promover ataques contra Israel, no dia 2 de março. O grupo armado alegou agir em retaliação aos ataques de Israel contra o Líbano nos últimos meses e em resposta ao assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.
O conflito entre Israel e o Hezbollah remonta à década de 1980. Na época, a milícia xiita foi criada em reação à invasão e ocupação de Israel no Líbano para perseguição dos grupos palestinos que buscavam refúgio no país vizinho.
Em 2000, o Hezbollah conseguiu expulsar os israelenses do país. Ao longo dos anos, o grupo se tornou um partido político com assentos no Parlamento e participação nos governos.
A atual fase do conflito entre Israel e o Hezbollah tem relação com a destruição da Faixa de Gaza a partir de 2023. O Hezbollah passou a lançar foguetes contra o norte de Israel em solidariedade aos palestinos e para desgastar a defesa israelense. Em novembro de 2024, foi costurado um acordo de cessar fogo entre o grupo xiita e o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, depois que Israel conseguiu matar lideranças do Hezbollah.
Porém, Israel seguiu com ataques e bombardeios periódicos contra o Líbano. O governo justificou os bombardeios ao citar que deveria atingir infraestrutura do Hezbollah.
