WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O partido de Donald Trump conseguiu nesta quinta-feira (9) evitar que fosse debatido no Congresso o projeto de lei que limita o poder de o presidente em envolver os Estados Unidos em guerras.

O Congresso está em recesso, mas alguns deputados retornaram a Washington para uma sessão nesta quinta na tentativa de aprovar a resolução por consentimento unânime. No entanto, o republicano que presidia a sessão, Chris Smith, encerrou rapidamente a sessão sem dar a palavra ao deputado democrata Glenn Ivey -o momento gerou protestos de democratas que gritaram palavras como "vergonha".

Após o frágil cessar-fogo anunciado na guerra no Irã, parlamentares da oposição têm defendido que é necessário que a guerra seja encerrada permanentemente. Os democratas criticam a condução do governo Trump, classificando o conflito de "perigoso", "não autorizado" e resultado de decisões unilaterais do presidente.

Entre as principais reclamações está a falta de participação do Congresso, que, segundo os deputados, foi ignorado apesar de ter a prerrogativa constitucional de declarar guerra. Eles acusam a liderança da Câmara, presidida pelo republicano Mike Johnson, de evitar votações e manter o Legislativo inativo enquanto o conflito se intensifica.

Os congressistas também apontam falhas estratégicas e diplomáticas, afirmando que a guerra fortaleceu o Irã em alguns aspectos e não conseguiu conter avanços nucleares. Além disso, defendem que a solução deve ser diplomática, criticando o abandono de acordos anteriores.

Outro ponto central é a acusação de retórica extrema por parte do presidente, incluindo ameaças consideradas inaceitáveis e potencialmente ilegais. "Ameaçar genocídio não é uma tática de negociação", disse a deputada democrata Sara Jacobs ao questionar a postura do governo, em referência as ameaças que Trump fez de dizimar com o Irã caso não se chegasse a um acordo na quarta-feira.

Há ainda críticas ao custo humano e financeiro do conflito, com mortes de militares americanos, feridos e altos gastos públicos, enquanto problemas internos -como acesso à saúde- permanecem sem solução.