SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dirigente da China, Xi Jinping, afirmou que o país "absolutamente não tolerará" a independência de Taiwan. A frase foi dita durante um encontro com a líder da oposição da ilha, Cheng Li-wun, nesta sexta-feira (10) em Pequim.

Presidente do Kuomintang (KMT), Cheng é a primeira líder do partido a visitar a China em uma década. Ela chamou a viagem de missão de paz para reduzir as tensões em um momento em que o regime comunista intensificou a pressão militar contra Taiwan.

De todo modo, sua ida gerou debate, com críticos acusando-a de ser pró-Pequim. A China se recusa a dialogar com o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, a quem chama de separatista.

No encontro desta sexta, realizado no Grande Salão do Povo, Xi reforçou o princípio de "uma só China" e disse que a independência taiwanesa é a principal ameaça à estabilidade. Também pediu que o KMT e o Partido Comunista Chinês atuem juntos pela reunificação.

O dirigente disse que "a tendência geral de compatriotas dos dois lados do estreito se aproximarem, ficarem mais próximos e se unirem não mudará". "Isso é uma parte inevitável da história. Temos plena confiança nisso."

Xi também disse que a China está disposta a fortalecer o diálogo com grupos em Taiwan, incluindo o KMT. O partido defende relações mais próximas com a China.

Em uma conversa com jornalistas após o encontro, Cheng ecoou a posição de Xi. Ela falou sobre necessidade de as gerações mais jovens entenderem "quais desafios enfrentamos neste momento" e "como, ao se opor à independência de Taiwan, podemos evitar a guerra".

Um porta-voz do DPP, partido governista de Taiwan, disse que a China deveria respeitar o "compromisso de Taiwan com a liberdade e a democracia, em vez de interferir nas escolhas do povo taiwanês".

"As diferenças entre os dois lados devem ser tratadas por meios pacíficos e iguais, e não por meio de supressão e intimidação", disse o porta-voz Lee Kuen-cheng.

Pequim tem aumentado a pressão militar sobre Taiwan nos últimos anos, realizando quase diariamente exercícios militares e enviando caças e navios de guerra próximos à ilha.

Parlamentares taiwaneses têm entrado em conflito sobre o plano do governo de gastar US$ 39 bilhões (cerca de R$ 197 bilhões) em defesa. O projeto está parado há meses no Parlamento, controlado por partidos de oposição, incluindo o KMT.

O principal formulador de políticas para a China de Taiwan, Chiu Chui-cheng, disse a jornalistas nesta sexta que apenas o povo da ilha poderia decidir seu futuro.

A viagem de Cheng ocorre um mês antes de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visitar Pequim para uma cúpula com Xi. Os EUA têm pressionado parlamentares da oposição em Taiwan a apoiarem uma proposta de compras de defesa, incluindo armas americanas, para dissuadir um possível ataque chinês.

Cheng criticou a proposta do governo, insistindo que "Taiwan não é um caixa eletrônico", e apoiou, em vez disso, um plano do KMT de destinar US$ 12 bilhões para armas dos EUA, com opção de novas aquisições.

Embora membros do KMT viajem regularmente à China para intercâmbios com autoridades, o último líder do partido a visitar o país foi Hung Hsiu-chu, em 2016.

As relações entre os dois lados do estreito pioraram especialmente desde a eleição do sucessor de Tsai, Lai Ching-te. Em um post nas redes sociais nesta sexta, ele disse que "as ameaças militares da China dentro e ao redor do Estreito de Taiwan e da cadeia de ilhas prejudicaram gravemente a paz e a estabilidade regionais".