BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Líbano e Israel concordaram em se reunir, na próxima terça-feira (14), para negociações sobre o fim do conflito entre Tel Aviv e o grupo xiita libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, de acordo com o governo do país árabe.
Os dois Estados fizeram nesta sexta-feira (10) o primeiro contato diplomático desde o início da guerra entre os dois lados da disputa, quando o Hezbollah se juntou ao Irã na guerra travada no país persa e atacou Israel. O Estado judeu, em seguida, passou a bombardear o Líbano e voltou a ocupar o sul do vizinho ao norte.
A ligação ocorreu entre os embaixadores de Líbano e Israel em Washington, com a participação do embaixador dos Estados Unidos no Líbano. Em comunicado, o governo libanês afirmou que a negociação na terça ocorrerá no Departamento de Estado, na capital americana, com mediação dos EUA.
A abertura para conversas ocorre em meio a pressão do governo de Donald Trump sobre o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu. Israel aumentou a intensidade de ataques contra o Líbano pouco após o anúncio de um cessar-fogo dos EUA contra o Irã, que por sua vez recusa avançar com as negociações enquanto o conflito não cessar também no Líbano.
Nesta quinta-feira (9), Netanyahu havia dito que instruiu seu gabinete a começar negociações diretas com o vizinho. No mesmo dia, o regime iraniano colocou em dúvida as conversas entre Teerã e Washington que ocorrem nesta sexta no Paquistão enquanto o conflito no Líbano continuar.
O Estado judeu nega estar em guerra com o vizinho ao norte, e afirma que seus ataques miram apenas o Hezbollah ?bombardeios de Israel, no entanto, têm atingido áreas de alta densidade populacional em todo o país árabe, em particular no sul, a leste no vale do Beeka, e em Beirute, áreas de maioria muçulmana xiita e centros de atuação do Hezbollah. Os mortos no Líbano já passam de 1.500, e o conflito forçou o deslocamento de 1 milhão de pessoas.
O governo libanês tem pouca margem de manobra. Se por um lado lida com um vizinho que é aliado da maior potência militar global e não limita ações para buscar o fim da facção xiita, por outro também precisa enfrentar o fato de que o Hezbollah é militarmente superior ao próprio Exército libanês ?além de ser importante força política e social em um país historicamente dividido em linhas sectárias e religiosas. Posições muito duras contra a facção podem reascender as chamas da guerra civil que devastou o país de 1975 a 1990.
Fortalecido estrategicamente pelo controle do estreito de Hormuz no golfo Pérsico, o Irã voltou a dizer nesta sexta que poderia cancelar as conversas com os EUA caso o conflito no Líbano não parasse.
Já Trump afirmou na rede Truth Social que "os iranianos não parecem entender que eles não têm cartas além da extorsão no curto prazo do mundo pelo uso de rotas marítimas internacionais". "A única razão para eles estarem vivos hoje é para negociar!"
A reunião está sendo preparada para ocorrer no hotel Serena de Islamabad, a capital do Paquistão. Um forte esquema de segurança praticamente fechou a cidade, com bloqueios até nas famosas trilhas em seus arredores.
A delegação do Irã chegou a Islamabad com o chanceler Abbas Araghchi e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf ?o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que tanto iranianos quanto americanos estarão presentes para negociar.
