SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Reino Unido e a França anunciaram nesta segunda-feira (13) que farão uma cúpula com outros países para tentar liberar a navegação segura no Estreito de Hormuz, principal entrave das negociações de paz entre EUA e Irã.

Reunião está prevista para os "próximos dias", disse Emmanuel Macron, presidente francês, em publicação nas redes sociais. Os países não anunciaram onde o encontro seria, ou se ele aconteceria de forma remota.

A ideia é que a cúpula monte um plano para garantir a segurança do transporte marítimo quando o conflito acabar. "Esta missão estritamente defensiva, separada das partes beligerantes no conflito, deverá ser implantada assim que as circunstâncias permitirem", disse Macron.

Mais de 40 países participarão das reuniões, segundo o primeiro-ministro Keir Starmer. As nações "compartilham o objetivo de restaurar a liberdade de navegação", afirmou o premiê em publicação na rede social X.

Mais cedo, Starmer negou a participação britânica na operação para bloquear o estreito, como anunciado pelos EUA. Ontem, em entrevista à Fox News, Trump afirmou que vários países, incluindo o Reino Unido, mandariam navios caça-minas para ajudar os EUA.

O Irã não sabe onde deixou as minas espalhadas pelo estreito, o que atrapalha a liberação do local, afirmou o jornal The New York Times. Uma fonte oficial do país deu a informação ao jornal durante as reuniões de paz realizadas no fim de semana no Paquistão.

BLOQUEIO DO ESTREITO

Donald Trump anunciou que os EUA bloqueariam o Estreiro de Hormuz horas após o fim das negociações mal sucedidas de paz com o Irã. O bloqueio começa hoje às 11h (horário de Brasília), segundo o presidente.

Comando Central dos EUA disse que vai impor um bloqueio marítimo ao tráfego que entra e sai de portos iranianos. "O bloqueio será aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entrarem ou saírem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã", afirmou o comando, em publicação no X, antigo Twitter.

Irã respondeu que qualquer tentativa de bloqueio está condenada ao fracasso e prometeu impedir a ação. "Os Estados Unidos, assim como sofreram uma derrota histórica contra o Irã ao tentar abrir o Estreito de Hormuz, também estão fadados ao fracasso em qualquer bloqueio naval", disse Mohsen Rezaee, ex-comandante-em-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica.

O Exército iraniano acrescentou ainda que a medida americana seria um "ato ilegal e constitui pirataria". Em comunicado à imprensa local, a sede central de Khatam al-Anbiya disse que "a segurança dos portos do Golfo e do Mar de Omã é para todos, ou para ninguém".

Guarda Revolucionária Islâmica do Irã também fez um alerta sobre a aproximação de navios militares na região. Segundo a agência Fars, o grupo disse que qualquer embarcação militar que tentar se aproximar do estreito "será tratada com rigor e firmeza".

COMO O BLOQUEIO PODE AFETAR O PETRÓLEO

Estreito de Hormuz vinha operando com restrições, mas sem fechamento total. Teerã vinha liberando gradualmente a passagem de alguns petroleiros em troca de um pedágio de até 2 milhões de dólares por navio.

Irã também manteve o fluxo do próprio petróleo durante a guerra, o que preserva uma fonte de recursos para o país. Ao tentar fechar a rota, EUA podem atingir o financiamento do governo iraniano e de suas operações militares.

Presidente do Parlamento iraniano ironizou o impacto do bloqueio no preço dos combustíveis nos EUA. "Aproveitem o preço atual da gasolina. Com o que está sendo chamado de 'bloqueio', vocês logo sentirão falta da gasolina a US$ 4 ou US$ 5.", disse Mohammad Bagher Ghalibaf.