SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, recuou da ideia de impor tarifa de 100% sobre importações do Equador e disse que o país vai adotar subsídios e uma taxação que chamou de "inteligente".

Petro afirmou ontem que não haverá tarifa de 100% para produtos equatorianos. "Não há tarifas de 100%, ministro do Comércio, não somos tão estúpidos", disse o presidente colombiano durante uma reunião de gabinete televisionada.

Governo colombiano agora fala em subsídios e em uma tarifa "inteligente". Petro não explicou como seria essa nova cobrança e também afirmou que itens considerados necessários para a Colômbia entrariam sem taxação.

Presidente disse que produtos essenciais teriam alíquota zero. "Tudo o que for necessário para a Colômbia, a 0%, entra.", afirmou.

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POR QUE A RELAÇÃO PIOROU

Tensão entre os dois países aumentou desde fevereiro, quando o Equador impôs tarifas sobre produtos colombianos. A medida abriu uma disputa comercial que passou a dominar o noticiário local e regional.

Crise ganhou novo capítulo em março, após Petro sugerir que o Equador teria bombardeado território colombiano perto da fronteira. Ele disse que uma bomba não detonada foi encontrada perto da casa de uma família rural, mas não apresentou detalhes do episódio.

Petro também publicou em rede social que 27 corpos foram achados carbonizados na região de fronteira. O presidente não informou quando nem em que circunstâncias as mortes teriam ocorrido.

Daniel Noboa negou ter ordenado ataque contra a Colômbia e disse que a ofensiva do Equador mira grupos criminosos dentro do próprio território. Petro, por sua vez, voltou a afirmar que a bomba na área de fronteira seria do Exército equatoriano.

DISPUTA TAMBÉM ENVOLVE COMBATE AO NARCOTRÁFICO

Além do comércio e das acusações sobre a bomba, Colômbia e Equador divergem sobre como enfrentar o narcotráfico na fronteira. A região concentra atuação de guerrilhas e organizações criminosas.

Equador iniciou uma ofensiva militar recente com apoio dos Estados Unidos e mobilização de milhares de soldados. Petro e Noboa têm trocado críticas sobre o nível de cooperação entre os dois países nesse tema.

NOBOA DIZ ESPERAR SOLUÇÃO APÓS ELEIÇÕES NA COLÔMBIA

Em entrevista de rádio na segunda-feira (13), Noboa disse esperar que a crise diplomática e comercial seja resolvida após as eleições de maio na Colômbia. Ele afirmou que o atrito começou em fevereiro e citou críticas sobre a falta de apoio de Petro ao combate ao tráfico de drogas na fronteira.

O presidente equatoriano afirmou que o conflito escalou depois que Petro chamou o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas de "preso político". Glas foi condenado em diferentes casos de corrupção e é aliado do ex-presidente Rafael Correa, adversário de Noboa.

Noboa disse não ter "grande esperança" de que Petro mude e afirmou que o Equador gasta cerca de 400 milhões de dólares para enfrentar a insegurança na fronteira. Ele declarou que quer sentar com o governo colombiano para buscar uma solução de longo prazo após o processo eleitoral.