SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - As Forças Armadas dos Estados Unidos afirmaram ter matado duas pessoas em ataques realizados nesta segunda-feira (13) a embarcações suspeitas de ligação com o narcotráfico no Pacífico Oriental. No último sábado, cinco pessoas morreram e uma sobreviveu em outro ataque norte-americano.
Militares do EUA afirmam que os alvos navegavam por rotas usadas pelo tráfico de drogas. O Comando Sul dos EUA (Southcom), responsável por operações militares na América Latina, disse nas redes sociais que a embarcação atingida participava de ações ligadas ao narcotráfico.
Governo de Donald Trumo diz estar em guerra contra o que chama de "narcoterroristas" na região. Até agora, porém, não foram apresentadas provas públicas que relacionem as embarcações atacadas ao tráfico.
Campanha já deixou 170 mortos, segundo os militares. As operações têm gerado debate sobre a legalidade dos ataques, com questionamentos sobre o uso de força letal contra pessoas que não representariam ameaça imediata aos EUA.
Especialistas em direito internacional e organizações de direitos humanos criticam a ofensiva no mar. Eles afirmam que os bombardeios podem configurar execuções extrajudiciais, justamente por atingirem pessoas sem ameaça imediata aos Estados Unidos.
Um ataque semelhante no sábado deixou cinco mortos e um sobrevivente. No caso, o Exército dos EUA divulgou imagens das embarcações sendo explodidas no mar, mas não apresentou evidências de que havia drogas a bordo.
O governo Trump descreve a ofensiva como parte de um "conflito armado" com cartéis na América Latina. Críticos questionam a eficácia da estratégia e apontam que parte do fentanil consumido nos EUA entra pela fronteira com o México.
No mês passado, Trump defendeu que países latino-americanos se juntem a ações militares contra cartéis e gangues transnacionais. A proposta foi apresentada na cúpula "Escudo das Américas", realizada em 7 de março na Flórida, com a presença de líderes conservadores da região.
O "Escudo das Américas" é uma iniciativa do governo americano para reunir aliados em torno de uma agenda de combate ao crime organizado, à imigração ilegal e ao que Washington chama de interferência estrangeira no continente. O encontro foi realizado em Doral, e o discurso oficial também associa a iniciativa à disputa por influência no Hemisfério Ocidental.
A ofensiva no mar também gerou controvérsia após a revelação de que militares americanos teriam atingido sobreviventes de um primeiro ataque em um segundo bombardeio. Parlamentares republicanos defendem que as ações são legais e necessárias, enquanto democratas e grupos de direitos humanos afirmam que as mortes podem configurar assassinato ou até crime de guerra.
