BARCELONA, ESPANHA (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início a uma viagem de cinco dias pela Europa. Ele foi recebido nesta sexta-feira (17) pelo primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em Barcelona, acompanhado de uma comitiva de ao menos 11 ministros.

A previsão é que os dois conversem a portas fechadas por uma hora e depois participem de uma reunião plenária com seus respectivos ministros. Em seguida, devem assinar acordos em áreas como igualdade de gênero, tecnologia e empreendedorismo.

Já no sábado (17), Lula se reunirá com uma dúzia de chefes de Estado progressistas que pretendem fazer frente à onda mundial de direita. Será o quarto encontro do chamado Fórum Democracia para Sempre, criado por Lula e Sánchez em 2024.

A lista de confirmados inclui os presidentes Claudia Sheinbaum (México), Gustavo Petro (Colômbia), Yamandú Orsi (Uruguai) e Cyril Ramaphosa (África do Sul). Entre os europeus, também estão os vice-premiês da Alemanha (Lars Klingbeil) e do Reino Unido (David Lammy).

O evento terá três eixos de debates: multilateralismo, desigualdades e combate à desinformação. Ainda não foi divulgado se Lula terá reuniões bilaterais com outros líderes.

Segundo o governo brasileiro, o objetivo da viagem a Barcelona é selar a reaproximação entre Brasil e Espanha, que voltou a ganhar força no terceiro mandato de Lula, e realçar convergências entre os dois países, principalmente na defesa da solução pacífica de conflitos.

Sánchez tem se colocado como um dos principais críticos europeus do presidente dos EUA, Donald Trump, na guerra contra o Irã. Nesta quinta (16), Lula deu uma entrevista ao jornal espanhol El País dizendo que "Trump não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país".

Na viagem, a diplomacia brasileira também tentará conseguir mais apoios ao nome de Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, para a Secretaria-Geral da ONU em 2027, mas já espera falta de consenso. Outro foco será uma declaração conjunta contra a violência política e digital de gênero.

Depois da Espanha, Lula seguirá para a Alemanha, onde participará da Feira Industrial de Hannover, e Portugal, onde se encontrará com o primeiro-ministro Luís Montenegro e o novo presidente António José Seguro em Lisboa. Ele volta ao Brasil na próxima terça (21).

Os três países escolhidos pela visita impulsionaram o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que entrará em vigor provisoriamente em 1º de maio, depois de 26 anos de negociação.

Entre os ministros que integram a comitiva de Lula estão Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Durigan (Fazenda), Alexandre Silveira (Minas e Energia), João Paulo Capobianco (Meio Ambiente) e Margareth Menezes (Cultura).

Estarão presentes ainda o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o diretor-geral da Polícia Federal, ?Andrei Rodrigues, e o presidente da Fiocruz, ?Mario Moreira.

Além dos eventos com chefes de Estado em Barcelona, Lula se reunirá ainda com empresários brasileiros e espanhóis, de setores como agronegócio, energia e infraestrutura. Também discursará no evento Mobilização Progressista Global, organizado pela sociedade civil e sindicatos.

Segundo o governo, a Espanha é a oitava maior parceira comercial do Brasil e o quinto maior destino das exportações brasileiras. Em 2025, o comércio bilateral foi de US$ 12,6 bilhões, impulsionado principalmente pela exportação de petróleo, soja e minerais. Mais de mil empresas espanholas atuam em setores como finanças, energia e telecomunicações.

Lula e Sánchez já haviam se encontrado outras duas visitas recentes: o brasileiro foi a Madri em abril de 2023, e o espanhol foi a Brasília em março de 2024. No ano passado, foi definido que os dois países se reuniriam a cada dois anos, o que está sendo concretizado agora.