SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O governo de Donald Trump enviou um avião dos EUA a Cuba para repatriar uma criança de 10 anos de Utah, no centro de uma disputa de guarda compartilhada e de suspeitas de sequestro parental.

Duas pessoas foram presas e acusadas de sequestro parental internacional após levarem a criança para Havana sem autorização. De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, Rose Inessa-Ethington, 42, e Blue Inessa-Ethington, 32, foram deportadas de Cuba na segunda-feira com apoio do FBI e apresentadas a um tribunal em Richmond, na Virgínia.

A viagem teria começado como um acampamento no Canadá, mas o grupo não chegou ao hotel nem ao camping em Calgary, no oeste do país. Segundo documentos citados pelo governo, a criança deveria voltar no dia 3 de abril para a mãe biológica, ex-companheira de Rose. A suspeita do sequestro fez transição de gênero após o nascimento da criança, conforme informações da NBC Miami.

Autoridades afirmam que o trio passou por Canadá e México antes da chegada a Cuba, em 1º de abril. A denúncia descreve que o grupo cruzou a fronteira EUA-Canadá em 29 de março, voou de Vancouver para a Cidade do México e, depois, de Mérida para Havana usando passaportes americanos.

O caso ganhou atenção porque familiares relataram preocupação com a possibilidade de a criança ser levada para uma cirurgia de transição de gênero antes da puberdade. A emissora NPR informou que a acusação não diz se havia um plano concreto para esse tipo de procedimento e que cirurgias desse tipo não são legalizadas para crianças em Cuba.

Uma decisão de um tribunal estadual de Utah determinou em 13 de abril o retorno imediato da criança e concedeu guarda exclusiva à ex de Rose. "Nossa prioridade em todos os casos de sequestro parental é a segurança e o bem-estar da criança. Este caso reflete a força das parcerias na localização de vítimas, no apoio à reunificação e na garantia de responsabilização", disse Robert Bohls, chefe do FBI em Salt Lake City, em comunicado divulgado pelo governo.

Entusiastas da aviação notaram uma rota incomum entre a Virgínia e Cuba e levantaram especulações sobre a missão do jato. Especialistas ouvidos pelo New York Times disseram que é raro o governo usar uma aeronave desse porte em casos de sequestro parental. "Isso é bizarro, extremamente incomum. Nunca ouvi falar de algo assim.", afirmou Jay Groob, presidente da American Investigative Services, ao site.

O episódio ocorre em meio a disputas políticas nos EUA sobre acesso de menores a cuidados de identidade de gênero. A NPR apontou que o governo Trump tem pressionado para restringir esse tipo de atendimento, enquanto entidades médicas defendem avaliação caso a caso e cautela, especialmente quando se fala em cirurgia.