BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a extensão de três semanas do cessar-fogo entre Israel e Líbano, nesta quinta-feira (23), após a segunda reunião entre enviados dos dois países em Washington.
Ele afirmou que os EUA vão trabalhar com o Líbano para ajudar o país a "se proteger do Hezbollah" e que espera reunir o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, "em um futuro breve".
O encontro mudou do Departamento de Estado para a Casa Branca e teve a presença do presidente americano, do vice-presidente, J. D. Vance, do secretário de Estado, Marco Rubio, e dos embaixadores dos EUA em Israel e Líbano, além dos embaixadores dos dois países em Washington.
A reunião ocorre um dia após ataques israelenses contra o vizinho matarem pelo menos cinco pessoas a despeito da trégua -a quarta-feira (22) foi o dia mais mortal no Líbano desde o início do cessar-fogo em 16 de abril. Entre os mortos na ofensiva está a jornalista libanesa Amal Khalil, segundo autoridades libanesas e o jornal Al-Akhbar, onde trabalhava.
O cessar-fogo mediado pelos EUA, que estava previsto para expirar no domingo, resultou em uma redução significativa da violência, mas os ataques continuaram, em particular no sul do Líbano, onde tropas israelenses permanecem posicionadas em uma faixa de território libanês de 5 a 10 km ao longo de toda a fronteira.
O Hezbollah, facção extremista apoiada pelo Irã, afirma ter "direito de resistir" às forças de ocupação. Já o Exército israelense reiterou um aviso aos moradores do sul do Líbano para não entrarem na área.
O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou que a enviada de Beirute para as negociações desta quinta buscaria a extensão do cessar-fogo e o fim das demolições realizadas por Israel em vilarejos do sul. O país está sendo representado pela embaixadora libanesa nos EUA, Nada Moawad.
Aoun citou a morte da jornalista Khalil e afirmou que o "ataque deliberado e recorrente" de Israel contra profissionais de imprensa tem como objetivo "ocultar a verdade sobre seus atos agressivos contra o Líbano". Ele classificou o episódio como um "crime descarado" que violou as "regras mais básicas" do direito internacional.
Hassan Fadlallah, parlamentar do Hezbollah, disse a jornalistas que cumprir a trégua implica "interromper assassinatos, cessar completamente os ataques e parar a destruição de vilarejos". Segundo ele, a retirada israelense deve ocorrer por meio de medidas conduzidas pelo Estado libanês, sem negociações diretas.
Um funcionário libanês disse que o país queria primeiro estender o cessar-fogo para então avançar nas negociações, incluindo a retirada de Israel, a libertação de libaneses detidos e a definição da fronteira terrestre. Tel Aviv afirma que seus objetivos nas negociações com o Líbano incluem garantir o desmantelamento do Hezbollah e criar condições para um acordo de paz.
Israel tem buscado alinhar-se ao governo libanês em relação ao Hezbollah, que Beirute tenta desarmar pacificamente há um ano. A complexidade do processo reflete a política sectária do Líbano, na qual a facção xiita é também um partido com representação no Parlamento e em cargos no governo, além de organização social de profunda capilaridade, em particular entre a população muçulmana xiita do país.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, deve participar da reunião desta quinta. Israel será representado por seu embaixador em Washington, Yechiel Leiter. Rubio sediou o primeiro encontro entre Leiter e Moawad em 14 de abril -o contato de mais alto nível entre Líbano e Israel em décadas.
Washington nega ligação entre a mediação no Líbano e as negociações sobre a guerra com o Irã. Já o Hezbollah diz que a trégua é resultado da pressão iraniana, e não da atuação americana.
O Líbano foi arrastado para a guerra após o Hezbollah atacar Israel em 2 de março, em apoio ao Irã. O país persa foi atacado por Washington e Tel Aviv em 28 de março, desencadeando um conflito que se espalhou pelo Oriente Médio.
O cessar-fogo no Líbano foi negociado separadamente das tentativas de Washington de resolver o conflito com Teerã, embora o Irã tenha defendido a inclusão do país árabe em uma trégua mais ampla, enquanto negocia acordo para encerrar a guerra com os EUA.
Na quarta, o Hezbollah disse ter realizado quatro operações no sul do Líbano em resposta aos ataques israelenses. Quase 2.500 pessoas foram mortas no Líbano desde que Israel iniciou sua ofensiva após o ataque do Hezbollah em 2 de março, segundo autoridades libanesas.
