SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)- Famílias de crianças iranianas mortas em um ataque aéreo dos Estados Unidos contra uma escola escreveram uma carta ao Papa Leão 14.
Os pais afirmam na carta que abraçam mochilas queimadas e cadernos ensanguentados no lugar dos filhos. O documento, publicado pela mídia estatal iraniana, agradece ao pontífice por ser a voz das crianças e pede a continuidade do diálogo.
As famílias criticam as ações militares dos Estados Unidos e de Israel. "Nossos filhos jamais voltarão para casa para construir um futuro melhor, mas é a oração de nós, pais enlutados, que sua mensagem para depor as armas seja ouvida, em um momento em que os Estados Unidos e o regime israelense alimentam as chamas dessas atrocidades com suas exigências excessivas", diz o texto.
O ataque
Um míssil atingiu a escola primária Shajarah Tayyebeh, na cidade de Minab, em 28 de fevereiro. O ataque aconteceu no primeiro dia do conflito e matou 175 pessoas. Do total, 168 eram crianças.
Os Estados Unidos dispararam o projétil por engano. Uma investigação militar, revelada pelo jornal The New York Times, apontou que os norte-americanos usaram dados desatualizados sobre uma base militar vizinha.
Críticas do Papa e respostas políticas
O Papa Leão 14 confirmou que leu a carta das famílias iranianas. Durante voo de volta da África, ele afirmou que a questão não é debater mudança de regime no Irã, mas promover valores sem matar inocentes.
O pontífice classificou o conflito no Oriente Médio como uma tragédia que afeta a economia global e civis inocentes. "Deus rejeita as orações dos líderes que travam guerras e cujas mãos estão manchadas de sangue", afirmou.
Donald Trump chamou o Papa de fraco no combate ao crime e péssimo para a política externa. O vice-presidente norte-americano, JD Vance, que é católico, defendeu a campanha militar dos EUA e de Israel como uma causa justa.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, definiu o bombardeio como um ato bárbaro. Em nota oficial, ele declarou que o ataque representa uma nova página sombria no histórico de crimes cometidos pelos agressores.
Impasse militar e pressão internacional
O presidente Donald Trump cancelou as negociações de paz que aconteceriam no Paquistão. O cenário inclui um impasse no Estreito de Hormuz, com bloqueio de navios, e ameaças à trégua entre Israel e Líbano por causa de confrontos com o Hezbollah.
Trump tentou afastar a culpa pelas mortes civis antes da divulgação da investigação militar. O presidente norte-americano chegou a responsabilizar o Irã pelo ataque à escola primária em um primeiro momento.
A ONU (Organização das Nações Unidas) cobrou que os Estados Unidos publiquem a conclusão da investigação. A organização pediu apurações transparentes sobre o caso, que motivou protestos simbólicos, como o da seleção iraniana de futebol usando mochilas em campo.
