SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - (FOLHAPRESS) - O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, se reuniu com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta segunda-feira (27), depois de responsabilizar os Estados Unidos pelo fracasso da mais recente rodada de negociações no Paquistão.
Segundo agências estatais russas, Putin disse esperar que o povo iraniano supere o que descreveu como um "período difícil" e afirmou ao chanceler iraniano que fará "tudo" o que puder para alcançar a paz no Oriente Médio.
A Rússia é uma das principais aliadas da República Islâmica, e o encontro ocorre em meio a um cessar-fogo temporário. Até agora os diálogos para terminar o conflito e reabrir o estreito de Hormuz, bloqueado por Teerã, fracassaram diante da firmeza demonstrada tanto por Washington quanto pelo Irã.
"De nossa parte, faremos tudo o que sirva aos seus interesses e aos interesses de todos os povos da região para garantir que a paz seja alcançada o mais rapidamente possível", disse Putin.
"Na semana passada, recebi uma mensagem do líder supremo do Irã [Mojtaba Khamenei]. Gostaria de pedir que transmita meus mais sinceros agradecimentos por isso e de confirmar que a Rússia, assim como o Irã, pretende continuar nossa relação estratégica", acrescentou o presidente russo.
O Irã firmou no ano passado um acordo de parceria estratégica de 20 anos com Moscou. A Rússia está construindo duas novas unidades nucleares em Bushehr, local da única usina nuclear do Irã, e Teerã forneceu a Moscou drones Shahed para uso contra a Ucrânia.
Ainda de acordo com agências russas, Araghchi disse que, devido à guerra com os EUA e Israel, "o mundo agora percebeu o verdadeiro poder do Irã" e "ficou claro que a República Islâmica do Irã é um sistema estável, sólido e poderoso".
Mais cedo, ao comentar as negociações, o chanceler disse que os americanos apresentaram "exigências excessivas". "A abordagem dos Estados Unidos fez com que a rodada anterior de negociações, apesar dos avanços, não alcançasse os objetivos", disse ele, citado pela imprensa estatal iraniana.
O presidente dos EUA, Donald Trump, realizará, ainda nesta segunda-feira, uma reunião de crise sobre o Irã, de acordo com relatos da imprensa americana. O site americano Axios, citando funcionários a par das negociações, afirmou no domingo (26) que o Irã enviou uma nova proposta para a reabertura do estreito e encerrar a guerra, mas que adiaria as negociações sobre a questão nuclear.
A via marítima, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo, está bloqueada por Teerã desde o início do conflito. O país persa prometeu sustentar a medida enquanto o bloqueio americano aos portos iranianos continuar.
A agência estatal iraniana Irna mencionou o relato do portal Axios, sem negar as informações. Enquanto isso, o acordo de cessar-fogo é respeitado, mas o impacto do conflito sobre a economia global persiste.
Antes de viajar à Rússia, Araghchi visitou Omã e a capital do Paquistão, Islamabad, onde deveriam ter ocorrido as negociações com os EUA. Também conversou por telefone com seu homólogo turco, Hakan Fidan.
Trump anunciou no sábado (25) o cancelamento da viagem da missão diplomática americana. O grupo seria liderado pelo enviado especial ao Oriente Médio, Steve Witkoff, e seu genro Jared Kushner.
A agência de notícias Fars, no entanto, informou que o Irã enviou "mensagens escritas" aos americanos para definir suas "linhas vermelhas" nas negociações, incluindo a questão nuclear e a situação no estreito de Hormuz.
O Conselho de Segurança da ONU realizará uma reunião sobre segurança marítima na noite desta segunda-feira, em Nova York. Entre 125 e 140 navios normalmente atravessavam o estreito diariamente antes da guerra, mas apenas sete o fizeram neste último dia, segundo dados da Kpler e análises de satélite da SynMax ?e nenhum deles transportava petróleo destinado ao mercado global.
