BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (27) que mãe e filho brasileiros foram mortos em ataques de Israel no Líbano ocorridos no domingo (26) durante o cessar-fogo entre os dois países.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores expressou condolências à família e condenou o ataque. O pai da família é libanês e também foi morto. Outro filho do casal, brasileiro, está hospitalizado, segundo a pasta.

"Esse ataque constitui mais um exemplo das reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo anunciado em 16 de abril, às quais já resultaram na morte de dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, assim como de uma jornalista e de dois integrantes franceses da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil)", diz em nota o Itamaraty.

No papel, Líbano e Israel estão sob um cessar-fogo que, no entanto, nunca de fato silenciou os combates, ativos desde que o Hezbollah atacou o Estado judeu em apoio ao Irã, por sua vez alvo de ofensiva de Washington e Tel Aviv a partir do dia 28 de fevereiro. As vítimas, cujas identidades não foram divulgadas, seriam as primeiras brasileiras desde então.

O conflito no Irã chega nesta terça-feira (28) a dois meses sem uma resolução. A trégua em vigor não resolveu os bloqueios no estreito de Hormuz operados tanto pelos EUA quanto pelo Irã; as negociações, até o momento, pouco avançam enquanto os dois lados acreditam pressionar o rival o bastante com as ações no golfo Pérsico para extrair concessões.

Nesta segunda, o Irã culpou Washington pelo fracasso das negociações e enviou o chefe da diplomacia do país, Abbas Araghchi, para se reunir com Vladimir Putin em Moscou. O líder russo afirmou no encontro que fará tudo o que sirva aos "interesses de todos os povos da região para garantir que a paz seja alcançada o mais rapidamente possível".

Já Líbano e Israel estão em contato direto e sob negociações mediadas pelos EUA. Na última quinta-feira (23), os adversários viram a trégua ser estendida por mais três semanas, segundo anunciou o presidente americano, Donald Trump.

Nem antes disso nem depois, os combates foram de fato encerrados, embora tenham sido reduzidos em intensidade. Nas primeiras levas de ataque, Israel bombardeou fortemente áreas em todo o Líbano, com foco no vale do Beqaa, a leste, em Beirute, principalmente seus subúrbios ao sul, e em toda a área ao sul do rio Litani, onde o Hezbollah atua com mais força.

Israel tem feito ataques em diferentes regiões do Líbano desde o início do cessar-fogo, em 17 de abril, e mantém tropas em território libanês dentro do que foi inicialmente chamado de "linha amarela", termo também usado na Faixa de Gaza para delimitar a área sob ocupação israelense daquela ainda controlada pelo Hamas.

A faixa ocupada tem de 5 a 10 km de profundidade por toda a fronteira entre os países, e as tropas fazem demolições de casas e infraestrutura em vilarejos. Depois de usar o termo semelhante ao utilizado em Gaza, as Forças Armadas de Israel mudaram a nomenclatura.

No domingo, o Ministério da Saúde libanês havia informado que ataques israelenses no sul do país mataram 14 pessoas, entre elas duas crianças e duas mulheres. Não está claro se os números incluem a mãe e a filha brasileiras. Além disso, 37 pessoas ficaram feridas. Segundo a pasta, o número total de mortos no país durante o conflito chegou a 2.521, com mais de 7.800 feridos.

"Ao expressar sinceras condolências aos familiares das vítimas, o Brasil reitera sua mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah", continua a nota.

"Condena, ainda, as demolições sistemáticas de residências e de outras estruturas civis no sul do Líbano, levadas a efeito, ao longo das últimas semanas, pelas forças israelenses, e a persistência do deslocamento forçado de mais de um milhão de libaneses", continua.

O ministério pede ainda o cumprimento da resolução do Conselho de Segurança da ONU de 2006 que encerrou a então guerra entre Israel e Hezbollah.

"Em vista da violação do acordo de cessar-fogo pela organização terrorista Hezbollah, as Forças Armadas de Israel são obrigadas a tomar medidas decisivas contra ela", escreveu no domingo o porta-voz em língua árabe do Exército israelense, coronel Avichay Adraee, no X, nomeando sete vilarejos ao sul do rio Litani.

"Da nossa perspectiva, o que nos obriga é a segurança de Israel, a segurança de nossos soldados, a segurança de nossas comunidades", disse por sua vez o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, em uma reunião de gabinete. "Agimos vigorosamente de acordo com as regras que acordamos com os EUA e também, aliás, com o Líbano", afirmou.

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