SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente da Coreia do Sul Yoon Suk Yeol foi condenado, nesta quarta-feira (29), a sete anos de prisão por obstrução da Justiça e outros crimes relacionados à sua breve imposição de lei marcial em dezembro de 2024.

A decisão foi proferida por um tribunal de apelações, que aumentou a pena após recursos apresentados pela promotoria. Yoon havia sido condenado, em primeira instância, a cinco anos de prisão em janeiro.

No entanto, o tribunal de apelações considerou Yoon culpado de mais crimes, incluindo mobilizar o serviço de segurança presidencial para impedir que as autoridades o prendessem.

O ex-presidente também foi considerado culpado de acusações que incluem falsificação de documentos oficiais e descumprimento do processo legal exigido para a decretação de lei marcial.

A decisão foi televisionada. Os advogados de Yoon afirmaram que ele recorrerá à Suprema Corte, classificando a decisão do tribunal de apelações como "incompreensível".

O caso é um dos oito processos que Yoon enfrenta desde sua destituição em abril do ano passado. Ele está preso desde julho. Entre os outros julgamentos, Yoon foi condenado à prisão perpétua em fevereiro por ser considerado o mentor de uma insurreição ligada à imposição da lei marcial. Os promotores haviam pedido a pena de morte no caso.

Yoon nega qualquer irregularidade.

Em 3 de dezembro de 2024, em um anúncio televisionado no fim daquela noite, o então presidente decretou a lei marcial, uma medida excepcional que restringe atividades políticas e liberdades civis. A decisão levou o Exército às ruas e incitou protestos contrários à medida.

Em poucas horas, porém, o decreto foi derrubado por uma votação unânime na Assembleia Nacional, e o movimento ficou conhecido como um arroubo autoritário de um governo que, sem apoio parlamentar, quis manter-se no poder com medidas consideradas antidemocráticas.

Yoon foi detido em janeiro do ano passado. Em abril, ele foi removido do cargo, e seu rival Lee Jae-myung, que liderou a resistência à lei marcial, assumiu a Presidência após as eleições gerais de junho.