BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente da França, Emmanuel Macron, respondeu nesta quarta-feira (29) a uma piada feita pelo rei Charles 3º durante jantar de Estado na Casa Branca ocorrido nesta terça-feira (28).

Fazendo referência a declaração recente do presidente Donald Trump, na qual o americano criticou aliados europeus e disse que, se não fossem as ações dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial, a Europa falaria alemão hoje, Charles afirmou dizendo que "se não fosse por nós, vocês hoje falariam francês".

A brincadeira arrancou risadas dos convidados do jantar e se refere ao fato de que grande área dos Estados Unidos hoje foi colônia francesa no século 18, antes de o Reino Unido vencer os franceses e estabelecer dominância na América do Norte -grande parte da qual se tornaria independente alguns anos depois e daria origem aos Estados Unidos.

A troca de brincadeiras pode também ser interpretada como crítica de Charles às declarações de Trump, que nada tiveram de amistosas na ocasião.

O presidente americano falou sobre os aliados europeus durante seu esperado discurso no Fórum Econômico de Davos, na Suíça, em janeiro, momento que ameaçou ruptura na aliança transatlântica quando Trump insistia que queria para si a Groenlândia, um território da Dinamarca.

"Senão fosse por nós, vocês estariam falando alemão e talvez um pouco de japonês", foi o que disse o republicano naquele dia. Ainda que não tenha rompido a aliança, o discurso de Trump selou a desconfiança entre Bruxelas e Washington e é um ponto de inflexão na relação não só com a Europa, mas entre aliados da Otan.

Charles está em visita nos EUA desde a segunda-feira (27). Além de se reunir com Trump no Salão Oval, participou do jantar de Estado e discursou no Congresso americano.

Nesta quarta, esteve em Nova York, onde encontrou brevemente com o prefeito socialista, Zohran Mamdani, em cerimônia no memorial às vítimas do atentado às Torres Gêmeas.

Foi a primeira vez que um monarca britânico visitou o local desde o atentado que matou mais de 60 cidadãos do Reino Unido, gesto que, como é característico da monarquia, carrega uma simbologia que vai além do mero protocolo.

Embora sem um discurso público de Charles, a presença inédita do monarca foi um lembrete ao chefe de Estado americano sobre o "relacionamento especial" entre Estados Unidos e Reino Unido e o fato de Londres ter de apoiar Washington quando evocado o artigo 5º da Otan para combate ao terrorismo.

Donald Trump e a aliança militar ocidental vivem momentos de atrito por críticas do republicano à ausência de aliados na atual guerra no Irã, inclusive com decisões de alguns de seus membros, como a Espanha, que proibiu o uso de suas bases militares pelos EUA para o conflito.