SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os ministros das Relações Exteriores do Brasil e de outros 11 países emitiram nesta quinta-feira (30) uma nota conjunta em que "condenam, nos termos mais enérgicos, o ataque israelense à Flotilha Global Sumud", ocorrido na quarta (29).

As forças israelenses interceptaram 22 barcos da flotilha, segundo a organização, e capturaram 175 pessoas, de acordo com Israel, de várias nacionalidades que pretendiam levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Quatro brasileiros estão entre os ativistas capturados.

Além do Itamaraty, assinam a declaração: Turquia, Jordânia, Mauritânia, Paquistão, Espanha, Malásia, Bangladesh, Colômbia, Maldivas, África do Sul e Líbia. "Os Ministros manifestam profunda preocupação com a segurança dos ativistas civis e instam as autoridades israelenses a adotarem as medidas necessárias para assegurar sua libertação imediata", afirma o texto.

"Os Ministros também conclamam a comunidade internacional a cumprir suas obrigações morais e jurídicas de respeitar o direito internacional, proteger civis e assegurar a responsabilização por essas violações", acrescenta, ao reiterar que os ataques e as detenções "constituem flagrantes violações do direito internacional e do direito internacional humanitário".

Entre os detidos está o ativista Thiago Ávila, que já foi preso por militares israelenses em outras duas iniciativas semelhantes. Em uma das ocasiões, familiares denunciaram maus-tratos e afirmaram que o brasileiro recebeu ameaças e foi colocado em uma solitária. Na missão mais recente, ele integrava o comitê diretor internacional da flotilha, ainda de acordo com a organização.

Além de Ávila, os outros brasileiros detidos por Israel são Amanda Coelho Marzall, Leandro Lanfredi de Andrade e Thainara Rogério. Todos participavam da missão da Global Sumud Flotilla, que havia partido de Catânia, na Itália, no último domingo (26), com destino ao território palestino.

Amanda Marzall, também conhecida como Mandi Coelho, é militante do PSTU e pré-candidata a deputada federal por São Paulo. Leandro Lanfredi é petroleiro da Transpetro, diretor do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros. Já Thainara Rogério possui dupla nacionalidade brasileira e espanhola e estava em um barco com delegação catalã.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel divulgou nota, nesta quinta (30), em que chama os ativistas de "provocadores profissionais". Também diz que suas forças agiram dentro da lei. "Devido ao grande número de embarcações participantes e ao risco de escalada do conflito, bem como à necessidade de evitar o descumprimento de um bloqueio legal, uma ação imediata se fez necessária em conformidade com o direito internacional", diz o comunicado publicado no X.

O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, por sua vez, escreveu nas redes sociais que a flotilha é composta por apoiadores do grupo terrorista Hamas. "Nenhum navio e nenhum apoiador do Hamas alcançou nosso território nem mesmo nossas águas territoriais. Eles foram repelidos. Continuarão a ver Gaza no YouTube."

Outros líderes mundiais também reagiram à ação de Israel. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, condenou a interceptação e exigiu a libertação imediata de cidadãos italianos, que ela considera "detidos ilegalmente".

O premiê da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que a ação israelense foi ilegal. "Israel está mais uma vez violando o direito internacional ao atacar uma flotilha civil em águas que não lhe pertencem", escreveu no X, instando a UE a congelar imediatamente as relações bilaterais e a exigir o respeito ao direito marítimo.

Em paralelo, os ministérios das Relações Exteriores da Alemanha e da Itália divulgaram uma nota conjunta afirmando acompanhar os desdobramentos do caso com preocupação. O texto, que não menciona Israel diretamente, pede "pleno respeito ao direito internacional" e o fim de "ações irresponsáveis".

Em Roma, a capital italiana, dezenas de manifestantes protestaram em frente ao Coliseu, com bandeiras palestinas, em apoio à flotilha e contra as detenções feitas por Israel.

Do lado oposto, os Estados Unidos manifestaram apoio a Israel. O porta-voz do Departamento de Estado americano Tommy Pigott condenou o que chamou de iniciativa em apoio ao Hamas e afirmou que o país espera que todos seus aliados "tomem medidas enérgicas contra essa manobra política inútil, negando acesso a portos, atracação, partida e reabastecimento às embarcações participantes da flotilha". Ainda segundo ele, "os EUA considerarão o uso de ferramentas disponíveis para impor consequências àqueles que apoiam essa flotilha".