SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Países europeus passaram a cumprir acordos com os EUA sobre o uso de bases militares após cobranças de Donald Trump, afirmou o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.

Rutte disse que aliados europeus estão garantindo a implementação de acordos com Washington sobre bases militares. "Sim, houve alguma decepção do lado dos EUA, mas os europeus ouviram", afirmou a jornalistas durante uma cúpula da Comunidade Política Europeia na Armênia.

Trump vem criticando países da Otan por, na visão dele, contribuírem pouco no contexto da guerra envolvendo o Irã. Rutte afirmou que as nações europeias entenderam a mensagem do presidente dos EUA e buscam responder às cobranças.

A declaração ocorre em meio a uma crise diplomática entre EUA e Alemanha ligada ao conflito no Oriente Médio. Na semana passada, o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que os iranianos estariam "humilhando" os EUA nas negociações para encerrar a guerra, que já dura dois meses.

Após a tensão, Merz tentou reforçar a importância dos EUA para a aliança militar. "Continuo convencido de que os americanos são o parceiro mais importante para nós na Aliança do Atlântico Norte", disse à emissora pública ARD, em entrevista ainda a ser exibida.

O governo americano anunciou a retirada de 5 mil soldados da Alemanha, com prazo de até 12 meses para concluir o processo. Questionado se a medida tinha relação com a estratégia de Trump no Irã, Merz respondeu: "Não há nenhuma conexão".

Um alto funcionário do Departamento de Defesa afirmou que a decisão responde a declarações de autoridades alemãs consideradas inadequadas. "O presidente está reagindo de forma adequada a esses comentários contraproducentes", disse a autoridade, sob condição de anonimato, à agência Reuters.

Trump confirmou que pretende retirar tropas da Alemanha e afirmou que pode fazer o mesmo com Espanha e Itália. "Provavelmente vou fazer isso. A Itália não tem ajudado em nada e a Espanha tem sido horrível, absolutamente horrível", declarou.

A Alemanha autorizou o uso de bases militares para ataques contra o Irã, posição elogiada por Trump. Espanha e Itália adotaram postura mais restritiva, com o governo espanhol fechando o espaço aéreo para aeronaves americanas envolvidas na guerra e os italianos negando o uso de uma base na Sicília em operações de combate.

Reportagem do The Wall Street Journal afirmou que Trump avalia punir aliados da Otan por falta de apoio à guerra contra o Irã. Entre as possibilidades estariam transferir tropas para países que apoiaram a ofensiva, como Polônia, Romênia, Lituânia e Grécia, e até fechar uma base dos EUA na Europa, possivelmente na Espanha ou na Alemanha.