BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) - A saga da baleia encalhada que virou um fenômeno na Alemanha não terminou com sua liberação no mar do Norte, no sábado (2). Chamada de Timmy, Hope ou apenas baleia, a depender de quem conta a história, a jubarte estaria emitindo sinais vitais por GPS, possibilidade que especialistas contestam, e os financiadores da operação agora se afastam da iniciativa.
Para completar, a Dinamarca, mais próxima do mar aberto, local da soltura, já declarou que seguirá o ritmo natural das coisas se o bicho encalhar em algum ponto de seu litoral.
Nas últimas semanas, o pequeno estado alemão de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental também prometeu obedecer a natureza, mas foi engolfado por uma onda viral de manifestações em favor do resgate do animal, nem sempre amistosa. A polícia já investiga mais de 150 ameaças contra Till Backhaus, ministro do Meio Ambiente responsável pela região, cargo equivalente a secretário, e membros de sua equipe.
No mês passado, Backhaus chegou a determinar um período de "cuidados paliativos", quando a baleia encalhou pela quarta vez, após sucessivas manobras de resgate, em uma região de águas rasas próximas à ilha de Poel, em frente à cidade de Wismar, no norte da Alemanha.
O social-democrata, no entanto, acabou não resistindo à pressão popular e política e cedeu aos apelos de uma operação privada. No sábado, o ministro desejou um "final feliz" para Timmy, mas a novela em torno da baleia ainda parece longe do capítulo derradeiro.
Nesta segunda-feira (4), a discussão girava sobre a sobrevivência do animal e responsabilização. De acordo com integrantes da operação, o aparelho de GPS instalado em Timmy não estava conseguindo transmitir sua localização, apenas sinais vitais.
A intermitência era esperada, já que o sinal do GPS só funciona na superfície, ou quando as baleias sobem para respirar. Porém a informação sobre sinais vitais foi contestada por ambientalistas e pelo Instituto de Pesquisa sobre Animais Selvagens Terrestres e Aquáticos (ITAW, na sigla em alemão).
Monitoramento dessa ordem demandaria sensores especiais, que muito provavelmente não foram instalados na baleia. O Greenpeace, que chegou a participar das primeiras iniciativas de resgate, mas se posicionou de forma contrária à última operação, informou que rastreadores de GPS não conseguem registrar ou transmitir sinais vitais. Também se discute se o equipamento foi devidamente testado antes da liberação.
A equipe que capturou e transportou a baleia em uma balsa até o mar do Norte não se manifestou sobre a nova polêmica, mas alimenta outra. Os financiadores da missão privada, Karin Walter-Mommert, filantropa dona de centenas de cavalos de trote, e Walter Gunz, fundador da MediaMarket, conhecida varejista alemã de eletrônicos, disseram em comunicado que foram alijados da decisão sobre a liberação de Timmy.
Segundo a veterinária Kirsten Tönnies, que participava do esforço, estimado em cerca de ? 1,5 milhão (R$ 8,62 milhões), as tripulações das embarcações envolvidas na operação, executada em mar revolto, liberaram a baleia por iniciativa própria, sem que os especialistas pudessem assegurar que o animal tinha condições de se virar por conta própria.
Uma das empresas negou a versão, afirmando que o veterinário americano Jeffrey Foster, também contratado pelos milionários, estava no "Robin Hood", navio que transportou a balsa com a baleia para o alto-mar. Foster, conhecido por participar da fracassada liberação de Keiko, a orca protagonista do filme "Free Willy", nos anos 2000, negou estar a bordo e relatou ter sofrido ameaças de membros da tripulação.
Ainda no sábado, imagens da TV mostraram uma baleia próxima ao litoral de Skagen, cidade mais setentrional da Dinamarca, onde o Báltico se encontra com o mar do Norte. Não foi possível determinar se era Timmy.
