SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma mulher egípcia grávida de 36 semanas e seus filhos, de dois e cinco anos, foram autorizados a entrar no Brasil nesta quinta-feira (7), após passarem quase um mês retidos no Aeroporto de Guarulhos, na grande São Paulo.

De acordo com o advogado da família, William Fernandes, eles serão acolhidos por entidades de defesa dos direitos de migrantes que vêm acompanhando o caso.

O pai das crianças, Abdallah Montaser, 31, permanece no aeroporto enquanto aguarda a análise de pedido de visto humanitário. Os nomes da mulher e das crianças não foram divulgados a pedido da família.

Os quatro chegaram ao Brasil no dia 8 de abril, vindos da Arábia Saudita, e foram impedidos de entrar no país. Montaser, que é engenheiro civil, foi classificado como indivíduo perigoso com base na portaria 770/2019 do Ministério da Justiça.

De acordo com o texto, devem ser impedidas de entrar no Brasil pessoas que tenham ligação com terrorismo e grupos criminosos, além de com grupos ligados ao tráfico de drogas, pessoas e armas de fogo, ou ainda com pornografia ou exploração sexual de menores.

O egípcio nega envolvimento com atividades ilícitas. Ele foi condenado a três anos de trabalhos forçados em seu país de origem após participar de manifestações contra o governo do ditador Abdel Fattah al-Sisi em 2015 e havia se realocado com a família para o Bahrein.

Com o aumento das tensões no Oriente Médio, ele decidiu tentar a vida no Brasil, afirmou à Folha de S.Paulo em entrevista por telefone em 24 de abril, de dentro do aeroporto. Eles ficaram alojados no hotel Tryp by Wyndham, que fica localizado dentro da área restrita de embarque, e não podiam deixar o local sem autorização das autoridades.

Durante o período em que ficou retida, a gestante teve que ser transportada ao hospital após sentir fortes dores no baixo ventre. Lá, foi diagnosticada com infecção urinária. Um dos argumentos da defesa para a liberação da entrada da família no Brasil foi o risco de transporte da mulher em estado avançado de gestação.

Além disso, a família temia a deportação para o Egito, onde Montaser afirma que poderia ser preso para cumprir a sentença de 2015.

O caso chegou à Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados. No dia 27 de abril, a presidente do colegiado, deputada Alice Portugal (PC do B - BA), enviou ofício ao Itamaraty e ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, solicitando a atuação das pastas.

A comissão solicitou aos ministérios a "adoção imediata e coordenada de medidas concretas", listando como prioritária a "garantia de atendimento médico urgente e contínuo à gestante", e "avaliação

clínica imediata do feto", além de atos para "assegurar condições dignas de permanência à família" e "tratamento do caso sob perspectiva humanitária, com plena observância dos direitos fundamentais".