SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A sequência de ataques israelenses contra o Líbano matou ao menos 51 pessoas em 24 horas, segundo autoridades locais.
Ministério da Saúde libanês diz que dois profissionais estão entre os mortos. A pasta acusou Israel de atingir estruturas ligadas ao atendimento médico: "O inimigo israelense continua a violar leis internacionais e normas humanitárias, somando mais crimes contra paramédicos, ao mirar diretamente dois pontos da Autoridade de Saúde em Qalawiya e Tibnin, no distrito de Bint Jbeil, em dois ataques", lamentou.
Cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entra na terceira semana, mas os ataques continuam. Apesar da trégua entre Israel e o Hezbollah, que passou a valer em 16 de abril, os bombardeios e ações militares aumentaram na região. Os ataques recentes, inclusive, são citados como os mais intensos desde o início do cessar-fogo no sul do Líbano.
Exército israelense orientou a saída de moradores de nove vilarejos para agir "com firmeza" contra o Hezbollah. Mesmo com o alerta, nenhum dos dois locais onde os ataques foram registrados ontem estava incluído nos alertas. A agência NNA também informou que "o inimigo israelense lançou dois ataques na rodovia de Sadiyat", um local situado a cerca de 20 km ao sul de Beirute. Mais tarde, a mesma fonte informou sobre um terceiro ataque nas proximidades.
Ataques atingiram equipes de emergência ao longo de estrada que conecta Beirute ao sul do Líbano. Segundo o cessar-fogo entre as partes, Israel se reserva o direito de agir contra "ataques planejados, iminentes ou em curso". Na manhã de ontem (9), o Exército israelense disse ter atacado mais de 85 alvos de infraestrutura do Hezbollah.
Governo libanês registra ao menos 2.846 mortos desde 2 de março. A data marca o início da nova operação militar de Israel contra o Hezbollah. O ministério local afirma que os ataques deslocaram mais de 1,2 milhão de pessoas no país desde o início da ofensiva. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), ao menos 103 profissionais de saúde libaneses morreram e 230 ficaram feridos nos mais de 130 ataques israelenses no período.
MEDO E EXAUSTÃO
Chefe da Defesa Civil Libanesa em Tiro, no sul do país, diz que as equipes trabalham sob risco constante. "Estamos sob ameaça a cada segundo, todos os dias. Nós nos perguntamos se vamos sobreviver ou se vamos morrer; sabemos que já abrimos mão das nossas vidas ao trabalhar aqui. Perdemos muita gente e parece que nós também já fomos embora", afirmou Ali Safiuddin à rede de mídia árabe Al Jazeera.
Um repórter relata que a linha de frente pressiona o sistema de resposta a emergências. "As leis humanitárias internacionais são claras: profissionais de saúde e socorristas, como a Defesa Civil Libanesa, precisam ser protegidos em conflitos armados, mas, nesta linha de frente, a questão não é se outro ataque vai acontecer. É quantas pessoas vão sobrar para atender aos pedidos de ajuda", disse Obaida Hitto.
COMPARAÇÃO COM GAZA
Um cirurgião de guerra que atuou em Gaza e no Líbano afirma ver um padrão semelhante de violência contra equipes médicas. "A gente costumava ver nossos colegas de Gaza entrando pela porta o tempo todo. Eu tive colegas, enfermeiros, estudantes de medicina mortos por armas israelenses e, então, ver a mesma política de atacar profissionais de saúde no Líbano é consistente", disse o médico Tahir Mohammed à Al Jazeera.
Ele também afirmou temer uma escalada com ocupação no sul do Líbano. "Se Israel fizesse do jeito que quer, ocuparia toda a região sul do Líbano, e faria isso amanhã. Eles não se importam com a vida. Eu vi isso com meus próprios olhos", completou Mohammed.
