SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou neste domingo (10) a resposta enviada pelo Irã à proposta americana para encerrar a guerra no Oriente Médio, o que aumenta as incertezas sobre as negociações por um acordo de paz.

"Acabei de ler a resposta dos chamados ?representantes? do Irã. Não gostei -TOTALMENTE INACEITÁVEL", escreveu Trump na plataforma Truth Social, com as habituais maiúsculas, sem informar detalhes sobre o conteúdo.

Mais cedo, a agência estatal iraniana Irna havia informado que Teerã enviou aos EUA uma resposta pelo Paquistão, que atua como mediador nas negociações. Segundo a imprensa local, o Irã propôs o encerramento imediato da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, a suspensão do bloqueio naval imposto pelas forças americanas, garantias de que não haveria mais ataques, e o fim das sanções econômicas, incluindo as restrições de Washington à venda de petróleo do país persa.

O jornal The Wall Street Journal informou, com base em autoridades não identificadas, que o Irã também propôs diluir parte de seu urânio enriquecido e transferir o restante para um terceiro país. Teerã ainda teria exigido compensação pelos danos causados na guerra.

A proposta inicial dos EUA, por sua vez, previa a interrupção dos combates antes da abertura de negociações sobre temas mais sensíveis, entre eles o fim do programa nuclear iraniano, o que Teerã rejeita.

As negociações ocorreram num contexto de pressão sobre Donald Trump para conter a crise no Oriente Médio antes de sua viagem à China, prevista para esta semana. O republicano deve chegar na quinta-feira (14) ao país asiático, onde irá se reunir com o líder Xi Jinping.

Os EUA enfrentam dificuldades para ampliar apoio externo. Países da Otan, a aliança militar ocidental, rejeitaram pedidos de Washington para enviar navios e ajudar na reabertura do estreito de Hormuz sem que haja antes um acordo de paz abrangente.

Apesar de um cessar-fogo parcial no conflito, que já dura um mês, drones foram detectados neste domingo sobre diversos países do Golfo, evidenciando que a tensão regional permanece alta.

Os Emirados Árabes Unidos disseram ter interceptado dois drones vindos do Irã. O Qatar informou que um cargueiro vindo de Abu Dhabi foi atingido por um drone em suas águas territoriais. Já o Kuwait divulgou ter acionado suas defesas aéreas contra aeronaves não identificadas que entraram em seu espaço aéreo.

Ainda assim, o navio operado pela empresa QatarEnergy atravessou o estreito de Hormuz em segurança e navegava em direção ao Porto Qasim, no Paquistão, segundo dados da empresa de análise marítima Kpler. Foi o primeiro navio qatariano transportando gás natural liquefeito a cruzar a rota desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã, em 28 de fevereiro.

Segundo autoridades ouvidas pela imprensa local, a travessia foi autorizada pelo regime iraniano como um gesto para fortalecer a confiança com o Paquistão e o Qatar, outro mediador das negociações.

O conflito já provocou instabilidade nos mercados de energia e ampliou temores sobre os impactos na economia global, além de causar milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano.

Ainda neste domingo, foi publicada uma entrevista de Trump à jornalista Sharyl Attkisson. Na conversa, gravada na semana passada, o presidente afirmou que levaria apenas duas semanas para atacar "todos os alvos restantes" no Irã e declarou que a república islâmica já estava "militarmente derrotada".

Segundo Trump, os EUA já teriam atingido cerca de 70% dos alvos considerados prioritários, embora ainda existam outros pontos que poderiam ser atacados.

Já o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou em entrevista ao programa "60 Minutes", da CBS News, também exibida neste domingo, que a guerra contra o Irã ainda "não terminou".

Segundo Netanyahu, o Irã ainda mantém material nuclear enriquecido que precisaria ser removido, além de instalações de enriquecimento que, segundo ele, deveriam ser desmanteladas. O premiê israelense acrescentou que Trump compartilha posição semelhante.

O estreito de Hormuz tornou-se um dos principais focos de tensão da guerra. Antes do conflito, iniciado em 28 de fevereiro, a passagem concentrava cerca de 20% do comércio global de petróleo. Desde o início dos confrontos, o Irã restringiu fortemente a circulação de embarcações estrangeiras.

Também neste domingo, a agência semioficial Tasnim informou que um navio graneleiro de bandeira panamenha, com destino ao Brasil, conseguiu passar pela via marítima após utilizar uma rota designada pelas Forças Armadas iranianas.