SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (12) que seu governo vai iniciar conversas com Cuba, após ter ameaçado atacar a ilha. Ele descreveu o país caribenho como uma "nação quebrada", que estaria pedindo ajuda.
"Nenhum republicano jamais falou comigo sobre Cuba, que é um país falido e só está indo em uma direção ?para baixo! Cuba está pedindo ajuda e nós vamos conversar!!! Enquanto isso, estou indo para a China!", escreveu Trump na plataforma Truth Social.
É a primeira vez que o presidente americano fala sobre o tema. O regime cubano, por sua vez, havia confirmado em 21 de abril um encontro bilateral com uma delegação dos EUA, em Havana.
As inciativas para diálogos ocorrem após uma série de ameaças. No início de maio, Trump havia ameaçado tomar a ilha. A agência de notícias Reuters não conseguiu contatar representantes de Washington nem de Havana para comentar o assunto.
O republicano fez a publicação sobre a ilha no mesmo dia em que viaja a Pequim para uma cúpula com o líder da China, Xi Jinping. No encontro, o americano deve pressionar o chinês para ajudar a conter a guerra no Irã.
O líder republicano no Senado, John Thune, afirmou na segunda (11) que o conflito no Oriente Médio deve ser a prioridade máxima do governo. "Acho que, neste momento, estamos concentrados em reabrir o estreito de Hormuz", disse a jornalistas que o haviam questionado sobre Cuba, segundo a mídia americana.
Trump disse também que Cuba seria "a próxima", após a ação militar dos EUA que prendeu o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro. Desde então, seu governo ampliou as sanções contra a ilha.
Washington ainda mantém, há quatro meses, um veto ao comércio de petróleo com a ilha, o que agravou as condições econômicas da população cubana. A Venezuela era a principal fonte de combustível de Cuba, e o fechamento da rota de fornecimento pelos EUA provoca apagões frequentes no país.
A ilha tem convivido com apagões de até 20 horas diárias, hotéis fechados, voos cancelados e suspensão de coleta de lixo e serviços básicos.
Em 1º de maio, Trump anunciou novas sanções econômicas contra setores-chave da economia cubana.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, classificou as ações de "medidas coercitivas unilaterais".
As sanções visam pessoas, entidades e afiliados que apoiem o aparato de segurança do regime cubano ou que seriam cúmplices de corrupção ou de graves violações dos direitos humanos, afirmaram os funcionários americanos.
