PEQUIM, CHINA (FOLHAPRESS) - Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, salientou a suposta amizade e o grande respeito que nutre pelo líder do regime chinês, Xi Jinping, o homólogo fez questão de reiterar que a relação entre os países deve ser baseada em ganhos mútuos e que, se a questão Taiwan for lidada por Washington de forma inadequada, haverá conflitos.

Após uma recepção amigável e marcada por pequenos cochichos entre os líderes, Trump começou a reunião afirmando que os países terão um futuro fantástico juntos.

"Nós construímos uma relação fantástica. Nós nos demos bem. Quando houve dificuldades, nós as resolvemos. Eu ligava para você, e você ligava para mim, e sempre que tínhamos um problema ?as pessoas não sabem disso? sempre que tínhamos um problema, nós o resolvíamos muito rapidamente", disse o americano.

Pouco antes, o chinês já havia afirmado que os países devem evitar a "Armadilha de Tucídides", um conceito diplomático que descreve a tendência de guerra entre a principal potência e a que está em ascensão e a ameaça.

"A China e os Estados Unidos têm a ganhar com a cooperação e a perder com o confronto. Devemos ser parceiros, não rivais. Nós devemos ajudar um ao outro a prosperar, e prosperar juntos", disse.

Uma de suas principais falas veio depois, durante a reunião de portas fechadas, que durou cerca de duas horas e quinze minutos.

A fórmula é a mesma que sua diplomacia tem usado nos dias que antecederam a visita. O chanceler chinês, Wang Yi, por exemplo, afirmou ao secretário de Estado, Marco Rubio, que o ponto é o mais sensível das trocas bilaterais.

Horas depois, durante entrevista coletiva em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, afirmou que os americanos devem ter "cuidado extra ao lidar com a questão Taiwan". O oficial não respondeu se houve algum pedido para que os EUA parem de vender armas para a ilha.

As falas dos mandatários ocorreram antes e durante o encontro no Grande Salão do Povo, na Praça da Paz Celestial, na manhã desta quinta-feira (14). O local é o mesmo em que o líder chinês recebeu o americano em sua primeira visita de Estado, em 2017, logo após Trump ser eleito presidente dos EUA.

O presidente americano chegou a Pequim na noite de quarta-feira (13) e permanecerá com agendas previstas com o líder chinês até sexta-feira. Trump veio acompanhado de uma série de CEOs e com o objetivo principal de fazer negócios e diminuir o déficit com a China, que no ano passado foi de US$ 202 bilhões.

Além da agenda comercial, o americano também conversou com Xi sobre a Guerra do Irã, segundo publicação da chancelaria chinesa. Havia a expectativa de que Trump tentasse convencer Xi a pressionar Teerã pela reabertura do Estreito de Ormuz, mas as informações divulgadas sobre a reunião até agora não indicam se o tema foi tratado.

Do outro lado, os principais pontos esperados para a conversa eram os controles de exportação de Washington sobre semicondutores e a questão Taiwan.

A chegada de Trump a Pequim é marcada pelo adiamento da reunião, que ocorreria em abril, mas teve a data alterada em decorrência do conflito no Oriente Médio. O governo americano tinha a expectativa de que, em um futuro próximo, quando o encontro ocorresse, a guerra já estivesse finalizada e não tomasse tanto espaço da agenda dos líderes, que poderiam tratar de outros temas relacionados a comércio, tarifas e tecnologia.

Apesar disso, a reunião seguiu marcada com o conflito como sua sombra, com Pequim apresentando a questão Taiwan em diversas frentes ?na conversa direta entre os líderes e em outras reuniões que ocorrem paralelamente.

Após o encontro no centro histórico do poder da capital chinesa, os líderes foram até o Templo do Céu, um dos cartões-postais de Pequim. O espaço tem simbolismo especial em visitas de Estado, uma vez que é conhecido como o local onde imperadores pediam a bênção dos deuses por boas colheitas.