SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um cidadão dos EUA foi condenado por operar, em Nova York, uma delegacia de polícia ligada ao governo chinês que servia para monitorar dissidentes, segundo as autoridades americanas
O júri considerou Lu Jianwang, 64, culpado de atuar como agente ilegal da China e de obstrução de Justiça. O caso foi julgado em um tribunal federal no Brooklyn, e a acusação diz que ele destruiu provas relacionadas ao posto.
De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, Jianwang ajudou a abrir e operar um posto policial no sul de Manhattan para o Ministério da Segurança Pública da China. Segundo a acusação, o local funcionou a partir de janeiro de 2022 em um prédio comercial na região de Chinatown.
Procuradores afirmam que a estrutura fazia parte de uma iniciativa global para manter postos do tipo fora da China. "Uma delegacia de polícia operando na cidade de Nova York sob a direção do governo chinês foi exposta, seu propósito sinistro interrompido e seu fundador responsabilizado por desrespeitar flagrantemente a lei e a soberania do nosso país", falou o procurador Joseph Nocella.
A investigação aponta que o condenado recebeu a tarefa de coletar informações para autoridades chinesas, incluindo localizar um ativista que saiu da China e foi para os EUA. O diretor assistente do FBI, James Barnacle afirmou que o homem agiu em "prol da agenda política do governo chinês e que sua condenação representa uma mensagem para outros agentes estrangeiros".
O réu pode pegar até 30 anos de prisão quando for sentenciado, segundo o Departamento de Justiça. A sentença ainda não tem data informada no material divulgado pelas autoridades.
COMO A INVESTIGAÇÃO CHEGOU AO POSTO EM CHINATOWN
O FBI fez uma busca autorizada pela Justiça no endereço em outubro de 2022 e apreendeu celulares de Jianwang e do outro acusado, Chen Jinping. De acordo com o Departamento de Justiça, mensagens no WeChat entre os dois e um contato do Ministério da Segurança Pública foram apagadas.
O Departamento de Justiça diz que nenhum deles informou ao governo americano que mantinha uma unidade policial não declarada em solo americano. No local, agentes encontraram uma faixa azul com a inscrição "Fuzhou Police Overseas Service Station, New York, USA".
Chen Jinping admitiu culpa em dezembro de 2024 por conspiração para atuar como agente da China. Ele também aguarda a sentença.
O QUE DIZ A CHINA
A BBC relata que grupos de direitos humanos apontam a existência de ao menos 100 postos semelhantes em 53 países. Essas organizações acusam a China de usar os espaços para ameaçar e monitorar chineses no exterior e identificar ativistas pró-democracia.
Segundo a BBC, o governo chinês nega que os locais sejam delegacias e afirma que seriam "estações de serviço". A justificativa é que elas prestariam serviços administrativos a cidadãos chineses fora do país, como ajuda durante a pandemia e renovação de carteira de
