SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Rússia está aprofundando sua aproximação com o regime do Talibã, que controla o Afeganistão, e ainda incentiva outros países a ampliar a cooperação com Cabul. A declaração foi feita nesta quinta-feira (14) por Sergei Shoigu, alto funcionário da área de segurança do governo russo. Segundo ele, Moscou está construindo uma "parceria plena" com os líderes afegãos.
Shoigu afirmou que a cooperação com Cabul é importante para a segurança e o desenvolvimento regional. Segundo ele, a Rússia mantém um "diálogo pragmático" com o Talibã em temas relacionados a segurança, comércio, cultura e ajuda humanitária.
As falas ocorreram durante reunião da Organização para Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês), bloco formado por dez países, entre eles China, Índia, Irã, Paquistão e antigas repúblicas soviéticas. Ainda segundo Shoigu, a SCO deveria reativar os contatos com o Afeganistão.
A aproximação entre Moscou e o Talibã se intensificou após a Rússia se tornar, no ano passado, o primeiro país a reconhecer formalmente o regime afegão, que retomou o poder em agosto de 2021 durante a retirada caótica das tropas lideradas pelos Estados Unidos depois de duas décadas de guerra.
O Talibã foi declarado ilegal pela Rússia como organização terrorista em 2003, mas a proibição foi suspensa em abril de 2025. A Rússia vê a necessidade de trabalhar com Cabul enquanto enfrenta uma grande ameaça à segurança representada por grupos extremistas islamistas baseados em países que vão do Afeganistão ao Oriente Médio.
O cenário de instabilidade regional voltou a ficar evidente nesta quinta, no Paquistão, onde cinco soldados e sete supostos extremistas morreram em confrontos na província do Baluchistão, no sudoeste do país.
Segundo autoridades locais, um artefato explosivo foi detonado próximo a um comboio do Corpo de Fronteiras, força paramilitar paquistanesa. Após a explosão, houve troca de tiros entre militares e combatentes armados.
Em comunicado, o Exército disse ter localizado e atacado um "grupo de terroristas" durante a operação, matando sete integrantes do grupo.
O ataque foi reivindicado pelo Exército de Libertação do Baluchistão (BLA), principal movimento separatista da província. Classificado pelos EUA de organização terrorista, o grupo afirmou ter atacado instalações militares, policiais e prédios da administração civil com armas de fogo e atentados suicidas.
Nos últimos anos, o BLA intensificou ataques contra trabalhadores de outras regiões do Paquistão e contra empresas estrangeiras ligadas ao setor de energia, em uma província marcada por insurgência separatista e violência armada recorrente.
