SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O médico missionário americano Peter Stafford, que trabalhava como único cirurgião em um hospital remoto da República Democrática do Congo, testou positivo para ebola e foi evacuado para tratamento na Alemanha.
Stafford começou a passar mal no sábado, com febre e náusea, e no domingo recebeu o resultado positivo para ebola. Ele relatou a pessoas próximas que acredita ter sido exposto ao vírus durante uma cirurgia em um paciente que parecia ter uma infecção na vesícula, mas que depois morreu e provavelmente estava infectado.
De fé cristã e ligado à ONG missionária Serge Global, Stafford vivia com a família em moradia conectada ao hospital de Nyankunde. O diretor-executivo da organização, Matt Allison, disse ao The Washington Post: "Estamos esperançosos de que ele vai conseguir superar isso, mas o ebola é uma coisa assustadora".
Médico foi transferido em uma operação com múltiplos voos até uma base militar dos EUA na Alemanha e, depois, encaminhado para atendimento em Berlim. Em parte do trajeto, ele foi transportado em uma cápsula especial de contenção, e chegou a precisar de ajuda para caminhar, segundo Allison.
A esposa dele, Rebekah Stafford, também médica, está isolada no Congo com os quatro filhos do casal, de um a sete anos. Allison afirmou que ela foi exposta ao atender uma paciente grávida em obstetrícia e ginecologia, e disse ao The Washington Post: "Estamos rezando para que ela não desenvolva sintomas, porque não temos muitas boas opções de cuidado para eles se ela não conseguir cuidar deles".
Stafford conheceu Rebekah na faculdade de medicina da Universidade Estadual de Ohio e o casal decidiu se mudar para o Congo com um compromisso de ao menos cinco anos. A saída dele para tratamento da Alemanha deixou o hospital sem cirurgião, já que ele era o único profissional na função naquele momento, de acordo com a Serge.
Caso do americano ocorre em meio a um surto com mais de 500 casos suspeitos e mais de 130 mortes. A organização afirmou ter sido informada de um surto mais amplo na sexta-feira, quando o Congo anunciou oficialmente a situação.
Autoridades de saúde alertam que os primeiros sintomas podem ser confundidos com doenças comuns na região, como malária e febre tifoide. No início, os sinais são pouco específicos e dificultam a identificação rápida em áreas onde outras infecções são endêmicas.
O Departamento de Estado dos EUA anunciou apoio financeiro para a resposta ao surto, com previsão de até 50 clínicas de tratamento. A ideia é montar estruturas de triagem, isolamento e contenção nas áreas afetadas na República Democrática do Congo e em Uganda, além de cobrir custos de linha de frente, segundo o governo americano.
