SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Os últimos dois corpos dos mergulhadores italianos mortos nas Maldivas foram resgatados hoje (20/5). Agora, as autópsias só deverão ser realizadas após o processo de repatriação para a Itália.
Uma restrição religiosa impede que o procedimento seja feito nas Maldivas, onde devem ocorrer apenas os processos de identificação e investigação inicial.
Dois corpos restantes foram recuperados no interior de uma caverna e levados à superfície. Após a identificação no necrotério em Malé, capital das Maldivas, será iniciado o procedimento para repatriar os corpos, afirmou o porta-voz do governo do país, Mohamed Hussain Shareef, à Reuters.
Cinco cidadãos italianos, todos mergulhadores experientes, participavam de uma exploração em uma caverna profunda no atol de Vaavu, na quinta-feira (14/5). Um dos corpos foi recuperado no mesmo dia, enquanto outros dois foram encontrados na terça-feira (19), a cerca de 60 metros de profundidade.
Mergulhador da Força Nacional de Defesa das Maldivas, que participava das buscas, também morreu no sábado (16). Segundo as autoridades, ele sofreu complicações relacionadas à descompressão após ser hospitalizado.
Com a complexidade da operação, mergulhadores especializados da Finlândia, com experiência em resgates extremos em cavernas submarinas, foram acionados para auxiliar nas buscas. As autoridades das Maldivas seguem investigando as circunstâncias do acidente.
POR QUE NÃO É PERMITIDA AUTÓPSIA NAS MALDIVAS
Após a repatriação dos corpos, as autópsias serão realizadas na Itália. Nem mesmo o primeiro mergulhador encontrado, Gianluca Benedetti, passou pelo procedimento nas Maldivas.
"No momento, não tenho conhecimento de nenhuma iniciativa desse tipo aqui nas Maldivas. É um país onde autópsias raramente são realizadas", disse Damiano Francovigh, embaixador da Itália no Sri Lanka, ao jornal Il Messaggero.
Motivo é religioso. As Maldivas são oficialmente um país muçulmano sunita, e a tradição islâmica valoriza a preservação e a integridade do corpo após a morte.
Por isso, exames invasivos costumam ser evitados, salvo em situações judiciais muito específicas ou em casos que envolvam riscos à saúde pública. Nessas circunstâncias, a prática ainda depende de autorização.
Procuradoria de Roma abriu uma investigação por homicídio culposo e pretende realizar autópsias assim que os corpos chegarem à Itália. O procedimento é considerado fundamental para determinar as causas exatas das mortes.
Grupo teria mergulhado entre 50 e 60 metros de profundidade, uma atividade considerada extremamente arriscada e que exige treinamento avançado e equipamentos específicos. Entre as hipóteses investigadas estão falta de oxigênio, desorientação ou falhas técnicas durante a expedição submarina.
