BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Itamaraty convocou a chefe da embaixada de Israel no Brasil, Rasha Athamni, para cobrar explicações sobre o vídeo em que ativistas aparecem com as mãos amarradas e as testas apoiadas no chão.

A publicação, que mostra o tratamento dado a estrangeiros que integravam uma flotilha com destino à Faixa de Gaza, foi feita pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, o extremista Itamar Ben-Gvir, e provocou uma avalanche de críticas internacionais.

Quatro brasileiros fizeram parte da flotilha, que foi interceptada pelas forças de Tel Aviv no mar Mediterrâneo.

Rasha Athamni está à frente da embaixada israelense em Brasília desde outubro de 2025. Ela atua como encarregada de negócios porque o país está sem embaixador no Brasil desde o fim da missão de Daniel Zonshine.

Tel Aviv chegou a designar um novo embaixador para Brasília, o diplomata Gali Dagan, mas ele não recebeu o aval necessário do Palácio do Planalto ?em mais um capítulo da crise entre os governos Lula (PT) e do premiê Binyamin Netanyahu. O Brasil tampouco conta com um embaixador em Tel Aviv desde o início de 2024.

Na diplomacia, a convocação de um chefe de embaixada ao Ministério de Relações Exteriores para uma reprimenda é uma forma de demonstrar descontentamento com temas da relação bilateral.

O Itamaraty já se manifestou sobre o vídeo divulgado pelo ministro israelense e chamou de degradante o tratamento dado por Ben-Gvir aos ativistas.

"Ao reiterar seu repúdio à interceptação, em águas internacionais, das embarcações integrantes da flotilha e à detenção de seus participantes ?ambas ações ilegais?, o Brasil demanda libertação imediata de todos os ativistas detidos, incluindo de quatro cidadãos brasileiros, assim como pleno respeito a seus direitos e a sua dignidade, em linha com os compromissos internacionais assumidos pelo Estado de Israel, a exemplo da Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes".

Nesta quinta-feira (21), o governo israelense anunciou que deportou todos os ativistas estrangeiros que faziam parte da flotilha. Os cerca de 430 integrantes da flotilha foram retirados de suas embarcações e ficaram detidos em Israel antes da deportação.

Os quatro brasileiros do grupo são: Beatriz Moreira, militante do Movimento de Atingido por Barragens; Ariadne Teles, advogada de direitos humanos e coordenadora da Global Sumud Brasil; Thainara Rogério, desenvolvedora de software; e Cássio Pelegrini, médico pediatra.

A divulgação do vídeo gerou reações de diversos países. O Reino Unido convocou o encarregado de negócios de Israel para prestar esclarecimentos. Na Polônia, o chanceler Radoslaw Sikorski pediu que Ben-Gvir seja proibido de entrar no país. Já o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, defendeu que a União Europeia deveria discutir sanções ao ministro israelense.

Até mesmo representantes dos Estados Unidos, aliado de Tel Aviv, criticaram o episódio. O embaixador americano Mike Huckabee disse que, apesar da flotilha ser uma "ação estúpida", Ben-Gvir "traiu a dignidade" de Israel pela forma como agiu.

Outros governos, incluindo França, Bélgica, Canadá, Coreia do Sul, Espanha, Irlanda e Turquia também criticaram o tratamento dispensado aos ativistas detidos.