SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, anunciou nesta sexta-feira (22) que decidiu renunciar. A saída ocorre após desgastes e divergências entre ela e o presidente Donald Trump em temas considerados sensíveis para o governo.

Gabbard comunicou sua decisão a Trump durante uma reunião no Salão Oval, na Casa Branca, ainda nesta sexta, de acordo com a imprensa americana. Ela ficará no cargo até 30 de junho.

A diretora agradeceu a Trump pela oportunidade de liderar o escritório de Inteligência Nacional nos últimos 18 meses. Em publicação no X, comunicou que decidiu deixar o cargo após o marido, Abraham, receber um diagnóstico de uma forma rara de câncer ósseo.

"Ele enfrentará grandes desafios nas próximas semanas e meses. Neste momento, eu preciso me afastar do serviço público para estar ao lado dele e apoiá-lo nessa batalha", escreveu ela.

A renúncia ocorre após uma série de desgastes no governo. Uma pessoa a par do assunto mencionada pela agência de notícias Reuters e que não quis se identificar afirmou que Gabbard foi forçada pela Casa Branca a deixar o cargo.

Ex-congressista democrata, Gabbard ganhou projeção ao disputar as primárias presidenciais de 2020 com um discurso crítico às intervenções militares americanas. Já durante a atual guerra no Irã, iniciada por Trump em fevereiro, vídeos antigos em que ela se posicionava contra as intervenções voltaram a circular.

Em março, ela contradisse o presidente ao dizer que o regime do Irã foi enfraquecido pelos ataques dos EUA em conjunto com as forças de Israel, mas que ainda parecia estar intacto. Teerã e seus aliados, acrescentou, continuavam capazes de atacar interesses de Washington e de aliados no Oriente Médio.

A fala ganhou ampla projeção já que, antes, Trump havia dito várias vezes que o Irã estava derrotado, que suas capacidades militares tinham sido destruídas e que os EUA haviam vencido o conflito. Também em março, o presidente afirmou que Gabbard era "mais branda" do que ele na forma de lidar com as ambições nucleares de Teerã.

Na administração, ela acumulou controvérsias. Uma delas foi a demissão de mais de cem funcionários após a descoberta de chats com conteúdo sexual explícito.

A diretora raramente aparece ao lado do presidente em decisões importantes de segurança nacional. Ela era vista, tanto dentro do governo quanto no Congresso, como uma integrante periférica da equipe responsável pela política de defesa e inteligência da Casa Branca, segundo o jornal The New York Times.

Após o anúncio desta sexta, Trump publicou uma mensagem na plataforma Truth Social informando que Aaron Lukas, vice de Gabbard, assumirá de forma interina o comando da inteligência nacional. O presidente disse que a decisão de renunciar é compreensível diante da situação familiar.

"Ela fez um ótimo trabalho", escreveu. "Mas, com o diagnóstico de câncer ósseo do marido, ela, com razão, quer estar com ele, ajudando-o a recuperar a saúde enquanto travam juntos uma batalha difícil."

O diretor de Inteligência Nacional dos EUA é responsável por supervisionar e integrar o trabalho de agências que incluem CIA e FBI. O cargo foi criado após os ataques do 11 de Setembro para melhorar a troca de informações entre os órgãos de espionagem e segurança. Entre suas funções estão assessorar o presidente em temas de inteligência, coordenar operações estratégicas, avaliar ameaças à segurança e supervisionar o orçamento e prioridades das 18 agências que compõem o sistema de inteligência americano.