SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (25) que o acordo com o Irã será excelente e significativo ou não haverá acordo algum.
Washington e Teerã minimizaram as esperanças de um avanço iminente nas negociações para pôr fim à guerra. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou também nesta segunda que os EUA chegarão a um bom acordo com o Irã ou lidarão com o país "de outra forma".
Os EUA darão à diplomacia todas as chances de sucesso antes de explorar as "alternativas", disse Rubio. Há "algo bastante sólido em jogo no que diz respeito à capacidade deles de abrir o estreito, conseguir que o estreito seja aberto, entrar em uma negociação muito real, significativa e com prazo determinado sobre a questão nuclear, e esperamos conseguir isso", declarou.
O regime persa também alertou nesta segunda que, embora tenham havido avanços nas negociações, ambos os lados ainda não estão perto de chegar a um acordo para o fim do conflito.
A guerra, desencadeada pelos ataques dos EUA e de Israel contra a República Islâmica em 28 de fevereiro, levou praticamente ao fechamento do estreito de Hormuz e a bombardeios do Irã contra outros países da região, bem como ao aumento dos preços da energia.
Os preços do petróleo caíram cerca de 5% nesta segunda, em meio a um surto de otimismo sobre um acordo, depois que Rubio sugeriu que poderia haver um pacto iminente. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, porém, respondeu que isso "é algo que ninguém pode sustentar".
Enquanto isso, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, cujo governo está liderando as negociações, se reuniu com o líder da China, Xi Jinping, em Pequim.
As forças americanas e iranianas mantêm um cessar-fogo desde 8 de abril, enquanto, no plano diplomático, continuam as negociações para encontrar uma saída para o conflito. Mesmo assim, o Irã continua bloqueando a navegação em Hormuz e os americanos, os portos da República Islâmica.
"Pensávamos que talvez tivéssemos notícias ontem à noite [domingo], ou talvez hoje [segunda-feira], mas eu não daria muita importância a isso", disse Rubio, referindo-se ao possível acordo. Ele afirmou ainda que Trump "não tem pressa, não vai fazer um mau negócio [nem] vai assinar um mau acordo".
Em Teerã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqai, foi mais contundente em suas declarações. "É verdade que chegamos a uma conclusão em grande parte dos temas em discussão", declarou o porta-voz. "Mas afirmar que a assinatura de um acordo é iminente é algo que ninguém pode sustentar", acrescentou.
Baqai afirmou que o Irã continuaria controlando o tráfego marítimo no estreito de Hormuz cobrando taxas, mas garantiu que isso não significa que Teerã queira "cobrar pedágios".
"Os serviços prestados, ou seja, os serviços de navegação, bem como as medidas necessárias para proteger o meio ambiente do estreito de Hormuz, do Golfo Pérsico e do mar de Omã, exigem a cobrança de certas taxas", afirmou.
Horas antes, Trump havia indicado em sua rede Truth Social que pediu a seus negociadores "que não se precipitem (...) porque o tempo está do nosso lado". Além disso, afirmou que o bloqueio aos portos iranianos "continuará em pleno vigor" até que seja assinado um acordo definitivo com Teerã.
Por sua vez, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou no domingo que ele e Trump concordaram que qualquer acordo final com o Irã deve incluir a "exigência" de "desmantelar o programa nuclear do Irã e retirar todo o urânio enriquecido do território iraniano".
As autoridades iranianas ressaltaram que, apesar de os EUA exigirem há muito tempo o fim do enriquecimento de urânio, as negociações sobre o programa nuclear do Irã só ocorrerão mais adiante, quando for alcançado um acordo inicial.
No plano diplomático, Trump conversou por telefone no sábado com líderes da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Qatar, do Egito, da Jordânia e do Bahrein, e com representantes da Turquia e do Paquistão, para discutir o acordo que está sendo negociado.
Nesta segunda, o primeiro-ministro paquistanês e o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, que estiveram em Teerã no sábado, se reuniram com líderes chineses. Segundo o canal estatal paquistanês PTV, Sharif afirmou em Pequim que "o mundo está passando por um momento crítico". "As coisas estão avançando na direção certa. Gostaria de agradecer o apoio da China na promoção da paz", acrescentou.
