BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O ministro da Defesa, José Mucio, reuniu-se com seu homólogo argentino nesta terça-feira (26) em Buenos Aires ?o primeiro encontro do tipo desde abril de 2024, quando a então chanceler Diana Mondino foi a Brasília se encontrar com o chefe do Itamaraty, Mauro Vieira.

"Nós estamos precisando é não ter vergonha de sermos próximos e amigos. Já fomos mais. Precisamos ser de novo", afirmou Mucio a jornalistas, logo após sair da reunião na embaixada brasileira. "Os governos passam, as Forças continuam", disse, em referência às desavenças entre Lula e Javier Milei.

O ministro não detalhou o teor da reunião, mas comentou a importância de fazer operações conjuntas, na defesa da fronteira e no combate à criminalidade. "Precisamos ser parceiros porque o crime organizado não tem pátria", afirmou.

Ele falou ainda, também de forma genérica, em possíveis parcerias tecnológicas e na ideia de um encontro de empresários do setor militar brasileiros e argentinos. "Achei eles muito interessados em conversar com o Brasil de novo", afirmou.

O encontro durou cerca de uma hora e meia e ocorreu na sede do Ministério da Defesa argentino, onde Mucio foi recebido com uma fanfarra que entoou os primeiros acordes do hino nacional em frente ao prédio, adornado com bandeiras do Brasil.

A visita antecede a Conferência de Ministros de Defesa das Américas, que vai ocorrer no Peru em julho, e uma espécie de tour que o ministro deve fazer por outros países do Mercosul.

Nos próximos meses, Mucio pretende visitar o Chile e o Paraguai. "Eu achei por bem que o primeiro país que nós devíamos procurar era a Argentina", disse. "A gente precisa ter cuidado para esses episódios políticos, que são passageiros, não macularem a defesa da América do Sul."

O ministro citou o aumento nos gastos em defesa em todo o mundo ao justificar o encontro. Em 2025, o gasto militar global cresceu 2,5% em relação ao ano anterior, chegando a US$ 2,63 trilhões e mantendo o maior patamar histórico desde a Segunda Guerra Mundial.

"Todo mundo está começando a se defender", disse. "Nós não nos armamos para invadir ninguém, mas para dissuasão", continuou, negando a possibilidade de um conflito na região.

Apesar da naturalidade com que tratou o encontro, a visita não tem nada de banal. Desde que Milei chegou ao poder, a relação entre Brasil e Argentina passa por uma derrocada ?o presidente ultraliberal chegou a chamar o brasileiro de "perfeito dinossauro idiota" em julho de 2024.

Como consequência, os encontros entre ministros dos dois países, antes comuns, minguaram. Além do encontro entre Mondino e Vieira, os ministros Luis Caputo (Economia) e Fernando Haddad (Fazenda) tiveram uma reunião em julho de 2025, mas ela ocorreu às margens de um evento do Mercosul.